Os tubos cruzam a Serra do Mar de cima abaixo e chamam a atenção dos moradores e de quem passa por ali, principalmente em dias em que o tempo está limpo, em que se pode melhor observar. Os 8 tubos cravados no meio da mata atlântica mexem com o imaginário de muitas pessoas. Há quem acredite que por eles desce petróleo, mas na verdade o conjunto de tubulações, que parece ter início em uma espécie de ‘catedral’ no alto da montanha, transporta água para uma das mais antigas usinas hidrelétricas aqui no Brasil, a Henry Borden, localizada em Cubatão.

Um acordo de concessão deu a Light 100 anos de responsabilidade pela distribuição elétrica e iluminação pública, principalmente da região da Avenida Paulista onde estavam os barões do café, naquela época.

Inaugurada em 1926, ainda com o nome de Usina de Cubatão, na época a hidrelétrica foi considerada uma das mais modernas obras da engenharia. A Light então se vê numa corrida de produção de energia. Com a demanda sempre muito maior do que a oferta, nos principio do século XX, se tem a ideia de construir uma grande usina para aproveitar a queda da Serra do Mar. Claro que havia um curso natural das águas do Rio das Pedras.

Para tanto, o rio foi represado. Construiu-se duas máquinas. Nascia ali então a maior usina do hemisfério sul, que até então era a usina de Cubatão. O nome Henry Borden vem um pouco depois.

As máquinas são os dois primeiros tubos de água que descem serra abaixo. O início da obra da usina contou com mão de obra externa. Os materiais para a construção foram importados. Necessitava de uma mão de obra muito especializada pois era uma região totalmente despovoada e com muitas dificuldades de acesso. Ainda mais que tiveram problemas de malária e outras séries de questões que influenciaram na construção da usina.

A ideia da tubulação veio para conseguir uma queda vertiginosa, assim como é usado em usinas de grande porte. No Brasil só existem duas que usam turbinas de alta queda, a de Henry Borden e a Parigot de Souza, localizada no Paraná. A tubulação, por sua vez, foi construída para fazer com que a água do reservatório Rio das Pedras chegasse até a usina.

A represa não está no limiar da Serra do Mar, ela está um pouco afastada. Há um túnel adutor que colhe a água da represa, e o mesmo tem aproximadamente 500 metros de extensão por 5 metros de diâmetro. O reservatório fica em São Bernardo do Campo e pode ser visto por quem passa pela Rodovia Anchieta. Muitos confundem com a represa Billings, mas ali é o Rio das Pedras. Na Imigrantes (rodovia) aí sim é a Billings.

Com a demanda crescente por geração de energia elétrica, a usina precisou ser ampliada, claro. Vieram os outros tubos que compõem o conjunto atual o que faz de da usina ser uma grandiosa obra de engenharia que incluiu a mudança de curso de um rio e a formação da represa Billings, que aumentou a produção da Usina Henry ­Borden.

O projeto foi liderado por um engenheiro americano, o objetivo era conseguir águas para alimentar Henry Borden através do bombeamento das águas do Rio Tietê. Existia uma afluente natural que era o Rio Pinheiros. Eles modificaram o curso desse rio e o tornou assim um canal. Ele passou a bombear e extrair água desse rio através de duas estações de bombeamento que há na capital paulista, São ­Paulo. ­

Somando as duas estações de bombeamento tem-se assim assim o reservatório Billings. Então ela passa de 2 para as atuais 14 máquinas e mantinha o título de maior usina da América Latina até a construção da Usina de Furnas, em Minas Gerais.

A ampliação da Usina Henry Borden ocorreu até 1950. Quem observa os 8 tubos lá na Serra do Mar, não imagina que por dentro da montanha existam outras 6 tubulações que transportam água para a hidrelétrica. O conjunto termina no interior de uma caverna onde os geradores estão instalados.

Há histórias que narram que o equipamento subterrâneo foi construído para proteger a usina, que foi atingida por bombas na Revolução de 1932.

Mas na verdade a construção no modo subterrâneo foi para evitar a colocação de mais tubos ao longo da encosta. Ancorar essa tubulação toda de forma segura na encosta foi muito complexo e exigiu muitos recursos financeiros.

Nos anos 50, já havia uma tecnologia que tornava mais barata a construção, que era a perfuração de um túnel ao longo do interior da montanha, por exemplo. Para tanto, foi perfurado um túnel adutor de 3 metros de diâmetro por 1.500 metros de extensão no interior da Serra do Mar para buscar água no reservatório Rio das Pedras e construir a usina subterrânea.

A Henry Borden ainda gera energia e integra o sistema interligado sul-sudeste brasileiro, que distribui eletricidade de forma compartilhada. Se atuasse de forma individual, a usina teria capacidade de atender uma área de dois milhões de habitantes. A água dos tubos além de gerar energia, também auxilia no abastecimento da Estação de Tratamento da Sabesp localizada também em Cubatão.

Veja a galeria abaixo publicada pelo Diário do Litoral:

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