ESO / J. Colosimo

Cientistas da Universidade de Sydney conseguiram detectar evidências de um campo magnético associado a uma vasta “ponte” intergaláctica que liga duas de nossas vizinhas mais próximas, as Grandes e Pequenas Nuvens de Magalhães (LMC e SMC). Chamada de Ponte de Magalhães, ela une um enorme fluxo de gás neutro que se estende por cerca de 75 anos-luz entre as duas galáxias.

Havia indícios de que esse campo magnético poderia existir, mas ninguém o tinha observado até agora”, disse a pesquisadora que liderou o estudo, Jane Kaczmarek, da Universidade de Sydney, na Austrália.

ESA / Planck

Nossos vizinhos galácticos mais próximos, LMC e SMC, estão localizados respectivamente a 160.000 e 200.000 anos-luz da Terra, sendo visíveis na região sul do céu noturno. Os pesquisadores há muito já sabiam da existência da Ponte de Magalhães, um caminho que possui algumas estrelas conhecidas. Mas, até então, pouco se sabia sobre o campo magnético associado à ponte.

Em um estudo publicado no periódico Monthly Notices da Royal Astronomical Society, os pesquisadores relataram que este recém-descoberto campo magnético possui um milionésimo da força do escudo magnético protetor da Terra – bem como poderia fornecer algumas informações sobre como este se formou.

Duas das principais hipóteses sugerem que o campo magnético foi gerado a partir da ponte, ou poderia ter sido “rasgado” a partir das duas galáxias anãs que se fundiram formando a passagem. Agora, se uma ponte de estrelas soa um pouco “sci-fi” para você, tenha em mente que grande parte do Espaço sideral é composto por diferentes campos magnéticos.

 

“Não só galáxias inteiras são magnéticas, como também os fios finos e delicados que juntam essas galáxias”, explicou um dos pesquisadores, Bryan Gaensler, da Universidade de Toronto, no Canadá. “Onde quer que olhemos no céu, encontramos magnetismo”.

A razão pela qual os astrônomos não se esforçaram muito para estudar essa estrutura no passado é por que esses tipos de campos magnéticos cósmicos só podem ser observados indiretamente, de modo que apenas seu efeito sobre outras estruturas no Espaço pode ser visto.

No caso da Ponte de Magalhães, sinais de rádio de centenas de galáxias muito distantes foram usados para capturar o campo magnético associado a ela. Estes sinais podem ser pensados como ondas na superfície de uma lagoa: vibram ao longo de um determinado ponto plano no Espaço.

Quando esses sinais passam através de um campo magnético, esse plano é alterado, permitindo aos astrônomos medir sua força e polaridade (direção). “A emissão de rádio das galáxias distantes serviu como ‘lanternas’ que brilham através da Ponte”, explicou Kaczmarek. “Seu campo magnético, em seguida, muda a polarização do sinal de rádio. E é como essa luz polarizada é alterada que nos diz sobre o campo magnético interveniente”.

Pela descoberta, os cientistas agora acreditam que terão mais chances de aprender não só como essa ponte se formou, mas também os impactos que tem sobre as Pequenas e Grandes Nuvens de Magalhães. Compreender isso, segundo Kaczmarek, “é uma questão fundamental para a Astronomia”.

 

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