O pior desastre natural que aconteceu em Camarões, país localizado no oeste da África, foi na noite do dia 21 de agosto de 1986. Mais de 1.700 pessoas morreram sufocadas em suas casas e até mesmo nas estradas, enquanto dirigiam ou pilotavam seus carros e motos.

A causa deste evento foi uma enorme nuvem de CO₂ que surgiu de um lago azulado da região, o Lake Nyos, que fica em uma cratera vulcânica no nordeste daquele país. A nuvem, mais densa que o ar, viajou 25 quilômetros pelos vales da região, matando 1.746 pessoas e 3.500 animais de criação como vacas, por exemplo. Quem encontrou os corpos deparou-se com uma cena rara e perturbadora: nada se movia, nem mesmo as moscas, que também morreram.

Quem não morreu ficou inconsciente por várias horas e acordou para descobrir que toda a família e os animais dos rebanhos daquela região estavam mortos. Muitos acreditaram que aquilo era uma praga bíblica, que o espírito do lago estava descontente ou até que se tratava de um ataque terrorista.

Joseph Nkwain acordou três horas depois da passagem da tal nuvem, e contou sua experiência para o pesquisador Arnold Taylor, da Universidade Plymouth (Reino Unido): “Não conseguia falar. Fiquei inconsciente. Não podia abrir minha boca porque havia um cheiro terrível. Ouvi minha filha roncando de forma horrível, muito anormal. Quando tentei chegar até a cama dela, entrei em colapso e então caí. Eu queria falar, mas meu ar não saía. Minha filha já estava morta”.

Engenheiros também instalaram em 2001 e 2011 canos para sugar o CO₂ diretamente do fundo do lago e liberá-lo gradualmente para a superfície, evitando assim grandes acúmulos.

O governo do país encomendou estudos para descobrir o que poderia ter causado aquela catástrofe, para garantir que aquilo não fosse se repetir. Os órgãos ambientais instalam sensores de CO₂ na região do lago conectados à sirenes que poderiam alertar as pessoas da região para que fujam dali o mais rápido possível.

Engenheiros também instalaram em 2001 e 2011 canos para sugar o CO₂ diretamente do fundo do lago e liberá-lo gradualmente para a superfície, evitando assim grandes acúmulos.

O que se sabe até agora?

Os poucos moradores da região relatam que ouviram um alto som de explosão na noite daquele mês e que saíram das casas para investigar. Uma nuvem com mais de 50 metros de altura se formou acima do lago e, por ser mais densa que o ar, viajou pelas partes mais baixas da região.

No dia seguinte, o lago apresentava uma coloração radicalmente diferente daquela observadas nos dias anteriores. Ele costumava ter um belo tom azul, e passou a ser marrom. A vegetação ao redor do lago também foi totalmente destruída.

Por estar em uma região vulcânica, a água deste lago recebe CO₂ que escapa do magma abaixo dele. Naturalmente, milhares de toneladas de CO₂ são conditos pela água, mas algo fez com que ele fosse liberado rapidamente.

O geólogo David Bressan explica que os gases vulcânicos que emanam do solo abaixo do lago se dissolvem e ficam concentrados nas águas mais profundas. A temperatura tropical da água superficial forma um tipo de barreira que mantém esta água fria e concentrada em CO₂ presa ao seu fundo.

O que não ficou claro para os cientistas é o que causou a quebra desta tal barreira. Pode ter sido um terremoto fraco? Uma erupção vulcânica ou até o deslizamento de pedras nas margens do lago?

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