Um estudo publicado na revista científica Azheimer’s & Dementia: Translational Research & Clinical Interventions afirma que pessoas que participaram de treinamento de velocidade de processamento tiveram menos chances de desenvolver demência 10 anos depois. O estudo, no entanto, tem alguns problemas reconhecidos pelos próprios autores, mas constrói uma base para que outros trabalhos examinem melhor a tal hipótese.

O estudo foi feito assim: 2.802 adultos saudáveis com média de idade entre 74 e 84 anos foram divididos em quatro grupos. Três receberam algum tipo de treinamento cognitivo: o primeiro focou na memória; o segundo, em raciocínio; o terceiro, em velocidade de processamento. Já o quarto não recebeu nenhum tipo de treinamento, e foi denominado “grupo controle”. Todos os participantes sabiam que tipo de treinamento estava recebendo e que haviam outros grupos recebendo outros tipos. Este não foi um estudo às cegas.

Os três primeiros grupos receberam os treinamentos em dez sessões de uma hora cada, espalhadas em várias semanas. Um grupo menor recebeu sessões extras um ano depois e também três anos depois do início do estudo.

Os participantes passaram por testes que avaliavam suas funções cognitivas depois de 6 semanas e também depois de 1, 2, 3, 5 e claro, 10 anos. O projeto do estudo, no entanto, não previa este acompanhamento da marca dos 10 anos, e outros pesquisadores apontam que isso pode significar que os resultados esperados não foram observados nos primeiros 5 anos e que outra observação foi improvisada depois. O problema desta observação extra é que quanto mais tempo passa, mais provável que as observações sejam resultado do que podemos dizer do acaso ao que como consequência do treinamento cognitivo, especialmente levando em conta que o treinamento foi de pouquíssimas horas.

Dez anos depois do início do estudo, apenas 1.220 participantes ainda faziam parte do trabalho, seja por que morreram ou por outros motivos. Deles, 260 desenvolveram demência. Os voluntários não passaram por exame clínico pelos pesquisadores, os pacientes (ou seus familiares) apenas informaram aos cientistas se tinham demência ou não.

A observação de demência entre os grupos foi da seguinte forma: 24,2% no que focou na memória, 24,2% no que focou no raciocínio, 22.7% no que focou na velocidade de processamento e 28,8% no grupo controle.

Demência foi menos frequente no grupo de velocidade de processamento, comparado ao grupo controle, com uma porcentagem de diferença de 4,9% de chance de que esse resultado seja observado apenas pelo acaso. É importante lembrar que um valor próximo de 5% não é considerado evidência de um efeito.

Outro problema foi que o estudo afirmou que quanto mais sessões foram feitas, menor o risco de demência. Isso não é necessariamente causal, já que os participantes que frequentaram mais sessões podem ter características diferentes daqueles que não frequentaram, uma vez que o número de sessões não era distribuído de forma aleatória.

“Este é um estudo importante com uma amostra relativamente grande que explora a possibilidade de prevenir a demência pelo uso repetido de um tipo específico de treinamento cerebral, no que 29% de redução da incidência de demência parece promissor. Porém, na minha opinião, o maior problema é que o diagnóstico de demência não foi confirmado por exames clínicos robustos”, argumenta a psiquiatra geriatra Sujoy Mukerjee, da West London Mental Health Trust (Reino Unido), em texto opinativo publicado no Science Media Centre.

Velocidade de processamento

A velocidade de processamento é muito importante para a aprendizagem, rendimento escolar e desenvolvimento intelectual. É uma habilidade cognitiva que pode ser definida como o tempo que uma pessoa demora para realizar uma tarefa mental. É o tempo de reação entre a pessoa receber a informação – visual ou auditiva – e responder à ela.

Um exemplo de teste de velocidade de processamento seria confirmar se contas simples estão corretas ou se o nome de objetos estão corretos ou não. Como na imagem abaixo:

Clique aqui para ver um teste de velocidade mental, em inglês.

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