Dentro da Politécnica, nos tornamos especialistas em teoria. Não temos vivências práticas que se conectam com nossa vivência futura no mercado de trabalho.

No mês de março de 2016, a minha Universidade comemorou 119 anos. No meio desta celebração, fiquei me questionando sobre o que mudou da inauguração da Escola até hoje.

E, posso ser sincera, conheço pouco do passado, mas, na minha visão de mundo, poucas mudanças aconteceram, principalmente na transmissão do conteúdo dentro da sala de aula e na formação dos profissionais de engenharia.

Vou te contar algo. Numa era de Excel e Avançados Simuladores industriais, eu aprendo a projetar Colunas de Destilação usando um papel milimetrado e uma régua!!!

Dá para acreditar nisso??

Eu acho isso tão antiquado e, principalmente, descontextualizado.

Imagine ai. Você é engenheiro(a) em uma indústria e é convidado(a) a projetar uma coluna de Destilação. Chega o dia de apresentar o projeto e,Tcharam! Em meio ao seu gestor e presidente da empresa, você apresenta seu projeto com uma régua e um papel milimetrado. Rs.

Por mais inteligente e capacitado(a) que você seja, essa é uma abordagem bem desconectada com a nossa atual realidade, sem contar a maior probabilidade de erro associada. Se o projeto for apresentado no Excel, Matlab ou qualquer outro software, você consegue transmitir muito mais confiabilidade e segurança, que são primordiais no meio industrial.

A sensação que dá é a mesma de que você contratou um fotógrafo profissional para sua festa e ele foi fazer o trabalho dele desenhando as pessoas, não usando as infinitas possibilidades de máquinas fotográficas que geram mais precisão e beleza nos registros. Por mais admirável que seja o esforço manual, ele não se encaixa com as demandas e necessidades atuais.

Eu acho importante que eu entenda os métodos de projeção de uma coluna de destilação, é importante que eu saiba o que o algoritmo está solucionando, mas tão importante quanto isso é lidar com aplicações práticas desses assuntos na minha futura realidade profissional. Claro que eu não deixo de reconhecer  a importância da aula ministrada pelo meu professor, mas acredito que o ensino precisa contemplar não apenas o aspecto teórico do assunto, afinal de contas, eu, como futura engenheira, preciso saber também utilizar esse conhecimento na realidade da minha futura profissão. Talvez minha Universidade não tenha a infraestrutura necessária para que aulas práticas sejam ministradas, com softwares licenciados e computadores disponíveis a todos os alunos, mas o professor deveria instigar essa percepção em seus alunos. Ao invés de avaliar o aluno com uma única (e questionável forma – eu não sou muito a favor de apenas avaliações teóricas), poderiam ser passados trabalhos em softwares ou no Excel, que nos dessem uma visão mais prática e realística daquele conteúdo. O nosso sistema de ensino superior atual não foca nisso.

A desconexão entre a Universidade e a indústria é tão grande que a gente aprende tanta coisa sobre trocador de calor, bombas, colunas de destilação e vou te confessar que, quando eu os vejo, eu me assusto pelo fato de que estudo tanto isso e não sei nem identificar — de cara — o que são, alguém sempre precisa me apontar. Ai eu sempre solto aquele “Ahhhhhh, aquilo que eu me acabei de estudar é isso…”

Nós não seremos para sempre estudantes de engenharia, um dia, seremos engenheiros. E muita habilidade e vivência que eu não tenho contato dentro da Poli me serão exigidas no mercado de trabalho (Não vão exigir que eu desenhe uma coluna de destilação em um papel milimetrado e sim em algum software. Isso é fato.). E não são apenas habilidades e conhecimentos técnicos, habilidades interpessoais serão ainda mais exigidas de mim e isso nem se fala na Politécnica. O cuidado humano lá dentro é nulo.

A associação de teoria e prática eu não vejo acontecer na Escola de Engenharia que eu escolhi estudar. E não deve ser uma realidade apenas minha, na minha visão de mundo, esse é um retrato do nosso Ensino Superior Brasileiro.

É muito potencial sendo desperdiçado.

É muita teoria para uma escassez de prática.

Formamos Estudantes de Engenharia, não Engenheiros.

Por isso, vale a máxima: não se acomode.

Particularmente falando, Eu vou me esforçar para aprender como projetar uma coluna de destilação no meio virtual, nem que seja no Excel. O que a Poli não me ensina, eu vou buscar aprender. Pensar além, de uma forma aplicada à vivência industrial que terei lá na frente como Engenheira.

Talvez você me questione por qual a razão eu não já fiz isso, enquanto estava tendo as aulas dessa disciplina. E a minha resposta vem com outra crítica que tenho ao nosso ensino: eu não tenho muitas opções de inovar na forma como aprendo! No semestre que peguei essa disciplina, precisava dedicar metade do meu dia ao estágio, em seguida tinha aula até de noite, durante todos os dias da semana. Tinha que estudar para 4 disciplinas do semestre em questão e o mais grave: se me dedicasse em aprender assim, de uma forma mais prática, existia uma probabilidade de alta de que, mesmo sabendo o assunto, eu tirasse uma nota ruim (o que eventualmente aconteceu). Afinal de contas, nossas avaliações não mensuram o aprendizado em suas diferentes perspectivas, na maioria das provas, precisamos vomitar um raciocínio construído pelo próprio professor, que vem de provas de semestres anteriores. Se eu investir meu tempo em programar esse conhecimento durante o semestre, pode ser que não me reste tempo para decorar as questões do semestre passado, o que pode me prejudicar. Isso não faz sentido algum!! Mas é o que estamos submetidos. Somos peixes sendo avaliados em uma corrida…

Mas enfim, reforço mais uma vez: não se acomode. Eu vivo questiono o Ensino da Engenharia, mas sempre me pergunto também em como  posso fazer a diferença para alavancar meu aprendizado e atuação na minha futura profissão. Assim, o semestre e a disciplina já passaram, mas eu estou firme e forte na missão de aprender esse conhecimento de uma maneira mais prática, que eu não vejo na Universidade. Afinal, hoje eu estou Estudante de Engenharia. Amanhã, eu já posso estar Engenheira. Mas não quero ser Engenheira especialista em teoria. Quero ser Engenheira de Prática, mão na massa!

E você?

Gratidão!

Eu acredito muito que Engenheiro tem que saber lidar com números, mas também com pessoas e emoções. Por isso, escrevi o livro “o que aprendi na engenharia: muito mais do que limites e derivadas, lições de vida”. Conheça nossa ideia e Contribua.
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Texto de: Ana Luisa Almeida ( http://oqueaprendinaengenharia.com/ )