Engenharia, conforme é definida, é a arte de transformar recursos naturais em produtos, sistemas, etc., adequados ao atendimento das necessidades humanas. E, ao longo dos tempos, a engenharia tem provado que tem cumprido muito bem este papel – e quanto progresso, quantas transformações, a engenharia trouxe ao mundo!

Mas o futuro, o que pode nos reservar? É bom refletir sobre isto, até para melhor pudermos orientar nossos trabalhos e carreiras.

Um bom trabalho sobre este tema é o de Harari (1). Em síntese, o autor, depois de uma primorosa visão da história, nos coloca algumas visões de futuro: depois das trevas da idade média, com grande centralização de poder na Igreja e na nobreza, e que foi pautada pela fome, guerras e peste, veio o iluminismo, provocado principalmente pelo compartilhamento de informações (imprensa), maior circulação de pessoas, etc. Com ele veio o humanismo (o ser humano como centro), que abriu as portas para a modernidade atual. Nos nossos tempos, a fome, a guerra e a peste estão, de certo modo, limitadas a bolsões específicos, e então poderíamos considerá-las como muito reduzidas, ou mesmo praticamente abolidas. Logo, a humanidade, em seu natural evoluir, deverá caminhar em busca de alcançar outros objetivos, que são alcançar a imortalidade, a felicidade, e a divindade (no sentido da onisciência e onipotência).

Aí ele introduz o conceito de dataísmo, que, conforme as palavras do autor, “faz ruir a barreira entre animais e máquinas, com a expectativa de, eventualmente, os algoritmos eletrônicos decifrem e mesmo superem os algoritmos bioquímicos.” Aliás, esta é uma premissa do livro: desde Darwin, as ciências biológicas passaram a entender os organismos vivos como algoritmos bioquímicos, que foram aperfeiçoando-se por milhões de anos. No entanto, com o crescimento exponencial da velocidade de processamento dos dados, de capacidade da memória computacional, da inteligência artificial, das técnicas computacionais em geral, e do enorme compartilhamento de informações, vai haver um instante no qual os algoritmos eletrônicos passarão a se comparar, ou mesmo prevalecer, sobre os bioquímicos, podendo então decidir por nós, ou seja, poderemos passar para eles grande parte de nossas funções, trabalho, decisões, etc.

Que coisa, não? Mas se olharmos com lentes várias coisas que já estão acontecendo, veremos que já começa a se entremostrar a realidade destas tendências: os diversos sistemas “big data”, que analisam profundamente tudo o que postamos (e mesmo nossa personalidade e gostos…), a boneca interativa (que foi proibida na Alemanha…), as intensas “conversas” pelas redes sociais, Cortana e Siri, etc.

E agora, como ficamos como engenheiros, neste possível futuro? Vamos pensar um pouco nisto?

Referência:

  • HARARI, Y.N.; Homo Deus – uma breve história do amanhã. São Paulo: Cia das Letras, 2016. 443 p.

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É graduado em Engenharia Elétrica (Instituto Nacional de Telecomunicações – INATEL), e pós-graduado em Docência do Ensino Superior em Educação. Foi professor, desde 1964, em diversos cursos técnicos, de engenharia, e de extensão, em diversas áreas técnicas, bem como em empreendedorismo e inovação. Também criou e coordenou diversas atividades ligadas ao desenvolvimento do empreendedorismo, no Inatel. Atualmente participa de programas de extensão e pesquisa ligados ao empreendedorismo, criatividade e inovação.