Vamos continuar nossa conversa da semana passada (“Engenharia em Pauta” no. 179) sobre a necessária mudança no ensino da engenharia? Então vamos refletir sobre o primeiro problema que foi apontado para os sistemas escolares, mas bem mais grave quando se trata do ensino superior: a conscientização da necessidade de mudança…

 Em primeiro lugar, temos que fazer chegar às escolas o reconhecimento de que as coisas estão mudando, bem como o “público alvo”, os estudantes. Eles estão mais imersos no mundo atual do que a maioria dos docentes e mesmo equipes diretoras…  Cada instituição terá que desenvolver uma estratégia adequada para tal, mas é preciso fazer algo a respeito. Requisitos para tal são: tempo de reflexão e estudo (o que normalmente não se tem nas estruturas acadêmicas, sobrecarregadas de normas, regulamentos, cargas horárias excessivas – provocadas por conteúdos excessivos e muitas vezes desnecessários, etc.), bem como o desenvolvimento de frequente compartilhamento de ideias, através de discussões produtivas e bem fundamentadas  em fatos, dados e teorias comprovadas.  No mais, dispondo de conhecimento e tempo para discutir os problemas, tem que haver “vontade política” de tentar progredir no novo caminho, o que não é fácil… Resiliência, tolerância a erros e aprendizagem com eles, também seriam boas “pitadas” para melhorar o gosto e a efetividade das mudanças… 

No entanto, é importante deixar claro que qualquer estratégia que seja desenvolvida pela instituição não pode ser de “cima para baixo”, como, por exemplo, algo oriundo da diretoria como mandatório – não funcionará… O projeto tem que ser “comprado” por todos os membros da comunidade acadêmica, e nascer de uma discussão séria e comprometida com o sucesso de todos. E aqui temos um problema (ou solução…): se o projeto de mudança de fato avançar, alguns membros da comunidade acadêmica deixarão a instituição por sua livre vontade, ou…

Existe outro caminho, menos radical, mas que também exigirá “vontade política”: vamos chamá-lo de “comer o elefante iniciando pela tromba”… O que é isto? O elefante, no caso, é a mudança; os alunos constituem a tromba, mais maleável e adequada às mudanças – e os cascos, duros e resistentes, mas fundamentais para o caminhar do elefante, são o corpo docente, administrativo, etc. 

Conforme citei, a tromba é maleável, e assim se adapta facilmente à alteração do ambiente. Assim são nossos alunos, antenados e sequiosos por mudanças, pois sentem, em seu íntimo, que não dá para se “alimentar” daquela forma, e procuram outra, embora também estejam “contaminados” pela antiga metodologia de “cuspe e giz”… Esta, aqui entre nós, é mais fácil para todos, embora ineficiente… Como fazer, então: com o apoio da diretoria, alguns cursos poderiam ser adaptados às novas metodologias (voltarei a elas mais tarde…), a partir dos docentes mais sequiosos para as mudanças (sim, eles existem, conheço vários…). E, como as experiências deverão dar certo, poderá haver um processo de contaminação benéfico ao entendimento e implantação da mudança geral… 

Vamos continuar este papo no próximo “Engenharia em Pauta”? Até lá…

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É graduado em Engenharia Elétrica (Instituto Nacional de Telecomunicações – INATEL), e pós-graduado em Docência do Ensino Superior em Educação. Foi professor, desde 1964, em diversos cursos técnicos, de engenharia, e de extensão, em diversas áreas técnicas, bem como em empreendedorismo e inovação. Também criou e coordenou diversas atividades ligadas ao desenvolvimento do empreendedorismo, no Inatel. Atualmente participa de programas de extensão e pesquisa ligados ao empreendedorismo, criatividade e inovação.