Inicio este comentário corrigindo a mim mesmo quanto ao título deste “Engenharia em Pauta”, já que tenho como conceito básico que é necessário “desenvolver” um engenheiro, e não apenas “ensinar” engenharia… Ou, seja, trata-se de começar o processo de formação de engenheiros com jovens realmente vocacionados, e em alguns anos desenvolver nos mesmos o conjunto de atitudes, habilidades e conhecimentos necessários para transformá-los em profissionais competentes.

Estes poderão de fato praticar a real engenharia de que precisamos, o que, em consequência, vai lhes assegurar o merecido sucesso pessoal e profissional.  E definitivamente, com raras e honrosas exceções, o que atualmente é praticado nas escolas de engenharia não vai muito longe de apenas “dar” conhecimentos, muitas vezes desnecessários à prática da profissão, que então será desenvolvida plenamente, pelos realmente interessados em praticar a engenharia, à custa de muito esforço e ao longo de sua vida profissional…

Este problema exige soluções em curto prazo, já que muitas empresas queixam-se de que os engenheiros recém-formados não estão plenamente qualificados para suas funções nas mesmas, assumindo a si mesmo o encargo de melhor prepará-los.

Afinal, conforme o prof. Brinjolfsson, diretor do Centro de Negócios Digitais do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o famoso MIT – EUA (1), “a crescente substituição do trabalho pelas máquinas deverá fazer com que metade das ocupações que existem hoje desapareça no prazo de uma ou duas décadas”, e que “… é necessário pensar na reinvenção que será necessária na educação para esse novo mundo em que profissões serão dizimadas pelas máquinas…”. Complicado, não?

E a dita ”Reforma do Ensino Médio” parece que apresenta um avanço neste cenário. De fato, ela tem como principal objetivo fazer com que o Ensino Médio seja mais “aberto”, e, por flexibilização do currículo, fazer com que, após o necessário desenvolvimento em um núcleo comum, o aluno possa optar por áreas de seu maior interesse e possível vocação. Por outro lado, a reforma prevê ampliação de carga horária, para dar-lhes mais tempo para trabalhar todos estes conteúdos. Parece bom, não?

Nos próximos “Engenharia em Pauta” vamos aprofundar estes pontos em relação ao “desenvolvimento” do engenheiro…

Referência:

  • Revista Veja, edição 2502, ano 49 – nº 44 – 2 de novembro de 2016 – “Paginas Amarelas”, Peter Zaalis, entrevista com Erik Brynjolfsson.
  • Achou útil essa informação? Compartilhe com seus amigos! xD

    Deixe-nos a sua opinião aqui nos comentários.

Compartilhe:
Publicação anteriorSaiba como baratas podem salvar sua vida
Próxima publicaçãoO aproveitamento de lixo na Suécia é tão eficiente que o país se viu obrigado a importar resíduos de outros países
É graduado em Engenharia Elétrica (Instituto Nacional de Telecomunicações – INATEL), e pós-graduado em Docência do Ensino Superior em Educação. Foi professor, desde 1964, em diversos cursos técnicos, de engenharia, e de extensão, em diversas áreas técnicas, bem como em empreendedorismo e inovação. Também criou e coordenou diversas atividades ligadas ao desenvolvimento do empreendedorismo, no Inatel. Atualmente participa de programas de extensão e pesquisa ligados ao empreendedorismo, criatividade e inovação.