Tudo sobre o curso de Engenharia de Tecidos

Só em setembro de  2012, 19 mil pessoas esperavam por um rim no Brasil (Fonte: Ministério da Saúde). As filas para transplante de órgãos, aqui e no resto do mundo, são extremamente grandes, causando sofrimento intenso para pacientes e suas famílias. Mas esta situação, no que depender da engenharia de tecidos, está prestes a mudar.

O que é a engenharia de tecidos?

É uma especialização da engenharia biomédica que permite recriar, industrialmente, tecidos e órgãos sintéticos ou semissintéticos funcionais. Na prática, ela atua como um instrumento da medicina, fornecendo alternativas mais eficazes aos médicos para o tratamento de doenças graves, cujo transplante ou enxerto sejam as únicas saídas.

Órgão produzido em laboratório x órgão doado

As vantagens de um órgão fabricado por um engenheiro de tecidos sobre um doado são, basicamente, duas. A primeira relaciona-se com o tempo, já que, enquanto um paciente espera anos por um transplante no sistema tradicional, com essa nova ciência ele esperará somente algumas semanas.

Já a segunda associa-se à rejeição do tecido doado. Mesmo quando o organismo receptor aparenta aceitar bem a nova parte nele implantada, o paciente é obrigado a tomar imunossupressores. Esses medicamentos diminuem a capacidade do corpo de reconhecer agentes estranhos, assim ele não rejeitará o tecido implantado. Contudo, isso também possibilita que doenças passem despercebidas pelas defesas do corpo e ataquem livremente.

Porém, como o órgão produzido em laboratório utiliza amostras de células do próprio paciente, não há risco de reações adversas. Logo não é preciso que ele tome imunossupressores, o que torna seu futuro muito mais saudável.

Por que a engenharia de tecidos é tão recente?

Ela começou recentemente, por volta da década de 80. Essa demora deve-se ao fato de que só nesse período que conhecimentos tidos como requisitos para essa área se tornaram suficientemente avançados. Eles são: a cultura de células e tecidos fora do organismo, a manipulação genética e os biomateriais.

Quando essa ciência será acessível a todos?

Não há previsões sobre quando todas as classes sociais poderão contar com essa poderosa arma pela vida. Contudo, a história das implantações de tecnologias medicinais mostra que a velocidade com a qual novas terapias chegam às massas é diretamente proporcional ao valor que os governos aplicam nesses programas.

Revolução no ensino e pesquisa

A Engenharia de Tecidos permitirá, num futuro próximo, que alunos da área da saúde estudem os órgãos humanos funcionando fora do corpo, o que tornará a experiência em sala de aula muito mais atrativa. A indústria de cadáveres também será desarticulada, garantindo um tratamento mais respeitoso aos mortos.

Outra área que lucrará muito será a pesquisa, principalmente farmacêutica. Isso, pois os cientistas poderão testar medicamentos em órgãos humanos sem preocupar-se com as rigorosas, porém necessárias, normas éticas, já que os experimentos serão feitos sobre tecidos individuais, e não em organismos conscientes.

Com isso, o preço dos medicamentos e o tempo necessário para desenvolvê-los serão significativamente reduzidos. Como os testes serão feitos diretamente em órgãos humanos, e não em outros animais, a segurança dos tratamentos também aumentará muito.

A Engenharia de Tecidos possui várias outras aplicações interessantes, a transformação de células comuns em células-tronco está entre elas. Contudo, isso é história para outro artigo. Alguém duvida de quão promissora essa área é? Você pretende especializar-se nela? Deixe sua resposta nos comentários.

Fontes: Metendobico , Brasil ,

Fonte da imagem shutterstock.

Colaborador: Jairo da Silva Freitas Júnior