O equipamento é baseado em um princípio simples da termodinâmica: o ar se expande quando aquecido.

Já pensou em um irrigador automático que não usa eletricidade e ainda por cima, pode ser feito com aquelas garradas descartáveis? Pois bem, a ideia rústica e eficaz foi criada pelo físico e pesquisador da Embrapa Instrumentação (SP) Washington Luiz de Barros Melo, que poderá ajudar de pequenos produtores a jardineiros amadores a manter seus canteiros irrigados automaticamente pelo método de gotejamento.

De acordo com Melo, o equipamento é baseado em um princípio simples da termodinâmica: o ar se expande quando aquecido. O pesquisador se valeu dessa propriedade para utilizar o ar como uma bomba que pressiona a água para a irrigação.

Uma garrafa de material mais rígido é pintada de preto e emborcada sobre outra garrafa que contém água. Quando o sol incide sobre a garrafa preta, o calor aquece o ar em seu interior que, ao se expandir, empurra a água do recipiente de baixo e a expulsa por uma mangueira fina para gotejar pela plantação. “Funciona tão bem que se você sombrear a garrafa, o gotejamento para, e, ao deixar o sol bater novamente, a água volta a gotejar”, garante o pesquisador. Fantástico, não é?

E o depósito de água? Bom, uma garrafa rígida também emborcada que desempenha a função de caixa d’água para manter abastecida a garrafa que tem a função do gotejamento, e um recipiente maior conectado à garrafa, que é a ”caixa-d’água”, vamos dizer assim, que armazena um volume maior de água que será usado por todo o sistema.

Os tubos que interligam as garrafas  podem ser aqueles equipos de soro hospitalar, lembra?

O pesquisador ainda conta que o maior desafio para quem for fazer o equipamento em casa é a sua vedação. Para o funcionamento do sistema é necessário que as três primeiras garrafas estejam fechadas hermeticamente. “Isso pode ser obtido com adesivos plásticos, do tipo Araldite, mas exige uma aplicação bem minuciosa”, explica.

Por outro lado, também compõe o sistema um distribuidor que pode ser construído com garrafa PET e do qual saem as tubulações que farão a irrigação por gotejamento.

As vantagens desse irrigador são várias. Trata-se de um sistema automático sem fotocélulas e que não demanda nada de eletricidade, pois depende somente da luz solar, tornando sua operação extremamente econômica. O sistema ainda promove economia de água, pois utiliza o método de gotejamento para irrigar, o que evita o desperdício do recurso hídrico.

E todos esse projeto pode ser construído com objetos que seriam descartados, como garrafas e recipientes de plástico, metal ou vidro.

A versatilidade do equipamento é outra coisa que chama a atenção. A intensidade do gotejamento pode ser regulada por meio da altura do gotejador e o ainda pode ser adicionado a água nutrientes ou outros insumos para otimizar a irrigação.

Veja abaixo o passo a passo:

Quanto o Sol ilumina a bomba solar (8), a  temperatura interna aumenta. O ar interno se expande e força a passagem pelo tubo (9); a pressão do ar sobre o líquido no recipiente (11) impulsiona-o a sair pelos tubos (7) e (12).

A água sai pelo tubo (12) por gotejamento. A pressão interna do recipiente (11) diminui. Nisso, a água no recipiente (4) passa para o recipiente (11) para suprir a água perdida. Mas um pequeno vácuo no recipiente (4) é gerado. Este vácuo provoca a sucção da água que se encontra no reservatório (1).

Quando se encerra a iluminação, a bomba solar (8) tende a esfriar, diminuindo ainda mais a pressão interna do recipiente (11), isto provoca um aumento do vácuo no recipiente (4), que aumenta a sucção da água do reservatório (1).

Este processo continua até o recipiente (11) completar totalmente o seu volume de água.

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