Efeitos colaterais de um intercâmbio

As vezes você nem acredita na força que tem, basta sair da zona de conforto e descobrir que a gente é muito maior do que a gente pensa. Há exatamente um ano sai de intercâmbio e um furacão de sentimentos passava na minha cabeça e ainda passa. Eu queria já voltar logo, era um tempo tão looooooongo, e hoje vejo que passou muito rápido. Eu tinha muito medo, medos que em sua maioria concretizaram, mas serviram de experiência de vida e de mecanismo de amadurecimento.

Aqui eu descobri que laços fortes JAMAIS são quebrados, quem gosta mesmo da gente não se distancia apesar da distância. Descobri que minha geladeira não se enche sozinha, e que ir no supermercado quase todos os dia não era uma mania da minha mãe. Aprendi que ficar sozinha por algum tempo serve pra te conhecer melhor e te faz descobrir novos hobbies.

Vi também que meu quarto não se arruma sozinho, muito menos minha roupas ficam limpas sempre. Percebi que controle financeiro é uma matéria obrigatória pra qualquer bolsista. Aprendi que quando você atinge um certo nível de maturidade, seus pais deixam de ser simplesmente pais e se tornam seus melhores amigos.

Falando em amigos, vi que mesmo depois dos 20, você constrói amizades que se transformam em uma família nesse país desconhecido . Mas não se iluda, muitas pessoas vã te decepcionar e sem motivo não vão gostar de você. Mas cada momento em um novo país e uma nova cultura vale a pena. Nem todos os dias são feitos de viagens, boas comidas e festa, mas há momentos de saudades, de arrependimentos . Apesar de tudo sei hoje que cada dia é um dia de crescimento.

Conhecer países lindos, construções maravilhosas, beber cervejas variadas, comer coisas diferentes, falar outra língua não melhoram só sua carreira ,mas sim melhoram o currículo da vida. Você passa a dar mais valor em coisas pequenas, como um domingo a tarde em um parque, ou aquele arroz com feijão da sua mãe.

Você aprende que a vida não precisa de muito e sim talvez de um novo olhar. As vezes, em uma cidade bem isolada no interior da Alemanha, você pode ser muito feliz, basta pra isso você dar uma chance pra descobrir que o que faz a vida valer a pena é o jeito que você decide ver as coisas. Aliás, num intercâmbio você tem que dar uma chance pra todas as experiências e também se dar uma chance de mudar pra melhor. Não adianta ficar preso na saudade.

O que importa é viver o hoje, e crescer o máximo possível com o presente. Mas claro, sem esquecer da sua origem. Eu que sempre me preocupei com o futuro, vi que podemos planejar viagens e muitas vezes elas  saem totalmente dos planos, afinal imprevistos acontecem. Tornando essas viagens as mais incríveis que fiz.

Na hora deu desespero, sim, mas depois que passa, a gente vê que foi muito melhor que nos planos. E essa é a grande metáfora da vida, não cabe a nós decidir todos os detalhes do futuro, porque cada segundo muda tudo, e sair dos planos é normalmente muito melhor e enriquecedor do que ficar se limitando.

Se eu puder dar três conselhos pra alguém, que eu aprendi aqui seriam esses: não se limitar, dar sempre uma nova chance ,tanto para as coisas quanto para as pessoas, e encarar todos os obstáculos como forma de crescimento. Acho sim que a experiência é válida, e desejo que todos possam passar por isso um dia. Quero portanto agradecer a todos que sempre me ajudaram nessa etapa da minha vida.

Acho que envelheci bem uns 5 anos aqui, e creio que valeu a pena cada segundo. Que venham meus últimos dias aqui e que a saudade seja suprida logo. Obrigada a Deus por está comigo. E aquela menina que saiu há um ano de Goiânia buscando ser aprendiz de intercambista, hoje é antes de tudo aprendiz de ser humano.

Por Ana Carolina Azeredo

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