A professora de ensino técnico, que ficou conhecida por sua história de superação, que será tema de um filme em breve, Joana D’ Arc de 55 anos, declara uma formação na Universidade Harvard que ela não tem e que está usando um diploma falsificado na tentativa de confirmar tal informação. Joana, repetidamente dizia em entrevistas e palestras que entrou na faculdade quando tinha 14 anos, o que agora ela também reconhece não ser verdade o que dizia.

A professora ganhou destaque por ter nascido no interior de São Paulo, superar a falta de estrutura, a fome e o preconceito para se tornar cientista, PhD em química pela então renomada Universidade de Harvard. Hoje, ela soma 72 prêmios na carreira, com destaque para a eleição de ‘Pesquisadora do Ano’ no Kurt Politizer de Tecnologia de 2014, concedido pela Associação Brasileira da Indústria Química, a Abquim. Nos últimos anos, recebeu dezenas de prêmios e, no mês passado, a Globo Filmes divulgou a preparação de um filme bibliográfico sobre sua vida, que na ocasião teria a atriz Taís Araujo como protagonista do mesmo.

Ela já havia sido entrevistada em 2017. Naquela ocasião, ela afirmou ter morado por dois anos em Cambridge, local em que se localiza Harvard e voltou ao Brasil após a morte de seu pai.

Durante a reportagem do Estadão foi pedido documentos que comprovassem o trabalho que havia sido feito no país norte-americano. Ela enviou um diploma, datado de 1999, com o brasão de Harvard, o nome dela e titulação de “Postdoctoral in Organic Chemistry”.

O documento foi enviado para Harvard que, ao analisá-lo, informou que não emite diploma para pós-doutorado. Também alertou sobre um erro na escrita (estava escrito “oof”, quando era pra ser “of”).

Ainda há duas assinaturas no diploma: uma delas é do professor emérito de Química em Harvard, Richard Hadley Holm. O professor declarou por e-mail: “O certificado é falso. Essa não é a minha assinatura, eu não era o chefe de departamento naquela época. Eu nunca ouvi falar da professora Sousa”.

A informação do suposto pós-doutorado em Harvard consta no currículo de Joana na plataforma Lattes. O preenchimento é feito pelo próprio profissional. Para realizar a suposta pesquisa nos Estados Unidos, o currículo informa que ela recebeu bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior, Capes, órgão do Ministério da Educação, MEC. A Capes, no entanto, afirmou que o nome de Joana não consta em nenhum registro de bolsista.

A professora foi procurada novamente para uma entrevista. Apenas depois de ser questionada sobre o diploma que havia enviado para a reportagem do Estadão, ela confessou que o documento foi feito para uma “encenação de teatro”. “Mas eu não concluí (o pós-doutorado), eu não tenho certificado”, afirmou. “As meninas mandaram junto quando o jornalista me pediu documentos. Eu pensei: tenho que contar isso para o jornalista, mas não falei mais com ele.”

Divergente da primeira entrevista, ela também informou que não trabalhou no laboratório da universidade e que nem morou na cidade de Cambridge. “Não fiquei o tempo físico lá, conversei com orientador. Participei até de um congresso em Boston”, conta. De acordo com ela, a pesquisa foi desenvolvida no Brasil. “Coloquei isso no Lattes, não sei se está certo ou errado.” Concluí.

Realmente Joana fez graduação, mestrado e doutorado na área de Química, mas na Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP. Suas pesquisas envolvem produção de couro ecológico e a reprodução de pele humana artificial para transplante. No entanto, a maior parte de prêmios, palestras ou entrevistas, são pela história de vida que ela traz.

Confira um vídeo contando um pouco mais sobre Joana:

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