Foto da NASA no Unsplash

A rotação da Terra em torno de seu eixo apresentou a maior velocidade dos últimos 50 anos. Segundo o Time and Date, somente no período foram registrados 28 dias com esse padrão desde o início do monitoramento, na década de 1970. Caso a tendência permaneça, implicará no futuro que um determinado ano tenha um segundo a menos em relação aos demais anos.

Tais alterações são acompanhadas por diversos relógios atômicos ao redor do mundo, responsáveis por medir o Tempo Universal Coordenado, UTC, sistema seguido por todos os países. Quando o tempo astronômico definido pelo tempo em que o Planeta leva para fazer uma rotação completa se desvia do UTC em mais de 0,4 segundos, este último recebe um ajuste.

A alteração ocorre em um segundo, conhecido como segundo bissexto — também chamado de segundo intercalar ou ainda adicional. Quando isso não é feito, a medição do tempo baseado na rotação pode se divergir da medição atômica, devido a uma variação irregular e decrescente da velocidade de seu movimento.

“É bem possível que um segundo bissexto negativo seja necessário se a taxa de rotação da Terra aumentar ainda mais, porém é ainda muito cedo para dizer se isso provavelmente acontecerá. Há discussões internacionais ocorrendo sobre o futuro dessas ações, ao passo em que também existem discussões de encerrar esses ajustes”, diz Peter Whibberley, cientista do Laboratório Nacional de Física do Reino Unido ao site The Telegraph.

Segundo o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA, NIST, o modelo tem seus prós e contras. É vantajoso para garantir a sincronia das observações astronômicas com a hora do relógio. Entretanto, pode gerar problemas a alguns aplicativos de registro de dados e infraestrutura de telecomunicações.

A rotação do Planeta varia ao longo do tempo como resultado de eventos climáticos e também os geológicos. Dentre os principais causadores, destacam-se as acelerações de marés, movimento da crosta da Terra relativo ao seu núcleo e da pressão atmosférica. Tais diferenças são observadas através do movimento do planeta em relação a objetos astronômicos distantes e do uso de até mesmo das fórmulas matemáticas para calcular o dia solar médio, 24h, equivalente a um giro da Terra, 86,4 mil segundos.

Já os relógios atômicos altamente precisos criados no final dos anos de 1960 mostravam que essa duração pode variar em milissegundos. O dia mais curto ocorreu em 19 de julho de 2020, quando o planeta completou sua rotação com 1,4602 milissegundos a menos de diferença do que é considerado padrão.

Devido à rotação mais lenta do Planeta Terra, o serviço Internacional de Sistemas de Referência e Rotação da Terra, IERS, aplicou o modelo intercalado 27 vezes a partir de 1972, ao adicionar um segundo, nomeado como segundo bissexto positivo. Logo, com o aumento da velocidade desse movimento, a aplicação não foi registrada desde 2016 e agora se apresenta através dos primeiros segundos bissextos negativos.

Porém, os cientistas preveem que 2021 apresente dias ainda mais curtos em comparação a 2020 — média de 0,05 milissegundos a menos. Ao longo dos próximos meses, os relógios atômicos também acumulariam a defasagem de cerca de 19 milissegundos.

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