Tenho lido (e ouvido…) muitos comentários sobre a situação da inovação em nosso país, alguns elogiosos, e com razão (sim, temos muita gente boa inovando, em universidades, “startups”, empresas bem consolidadas, etc.), mas também desabonadores e preocupantes, que chegam a nos afirmar que somos um país em que a inovação é rara; assim há notícias sobre a necessidade de “importação” de cérebros especializados em áreas disruptivas e estratégicas, por falta de profissionais qualificados, bem como importação a duras penas de tecnologias avançadas, etc. Será verdade? Sinceramente, creio que não está tão ruim assim, mas em nível mundial é realmente preocupante…

Neste espaço, não nos interessam as causas, cujo estudo seria muito complexo. Mas podemos verificar alguns problemas, de difícil e longa solução, que saltam à vista. Por exemplo, nosso sistema educacional é bem ineficaz – basta olhar o último resultado do PISA, no qual estamos em 78º lugar. Tal sistema é altamente conteudista e pouco desafiador, em geral sem contato com o entorno qual estamos vivendo; também há uma burocracia acachapante, além da elevada carga tributária, afetando todos os empreendimentos; o pouco apoio governamental à inovação, com raras e honrosas exceções, e assim por diante…

Além destes fatores “locais” temos outros problemas, agora em nível geral. Vamos conversar um pouco sobre eles?

No entanto, é interessante começarmos estas considerações com a definição oficial, aceita internacionalmente, sobre o que é inovação. Segundo o Manual de Oslo (“bíblia” da inovação e de seus processos avaliativos), inovação é [1]:

“Uma inovação é a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou de um processo, ou de um novo método de marketing, ou de um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas”. 

E também:  

  • “O requisito mínimo para se definir uma inovação é que o produto, o processo, o método de marketing ou organizacional sejam novos (ou significativamente melhorados) para a empresa;
  • Um aspecto geral de uma inovação é que ela deve ter sido implementada. “Um produto novo ou melhorado é implementado quando introduzido no mercado.”

Importante – perceba então que a inovação pode ocorrer em:

  • Produtos, aqui incluídos bens ou serviços;
  • Métodos de Marketing; 
  • Processos organizacionais. 

Tal definição já desmitifica o conceito de inovação, que não precisa ser algo mirabolante ou disruptivo, mas sim se aplica a todas as instâncias e métodos das instituições que propiciam o progresso humano; no entanto, a visão de que inovação deve ser apenas algo fantástico e revolucionário muitas vezes embaça e sobrecarrega a mente dos que se dispõem a inovar. E isto é um problema…  Mas não, uma simples melhoria (inovação incremental), que traga economia e aumente a efetividade de um processo é inovação, e necessária. Assim, para inovar, não é preciso revolucionar a tecnologia ou o mundo, mas sim achar “brechas” nas quais, tendo como base necessidades reais (sociais, econômicas, políticas, pessoais, etc.), seja possível melhorar algo.

Vamos continuar este “papo” na semana que vem? Até lá…

Referência:

[1] Manual de Oslo. Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 1997.

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