Na semana passada, neste espaço, estávamos conversando sobre uma certa inadequação dos nossos atuais sistemas escolares e educacionais (inclusive os familiares…) em relação às novas gerações, salvo evidentemente as sempre louváveis e meritórias exceções. Considero natural este fato, pois as gerações vão se sucedendo e rapidamente vão se adaptando, com a vitalidade e força da juventude, aos novos tempos que lhes são oferecidos; mas os sistemas escolares e educacionais são mais morosos e naturalmente mais “pesados” em termos de paradigmas e métodos. E aí acontece o natural desacerto de motivações, com evasão escolar, desmotivação, baixo nível de aprendizagem, etc. 

O fato é que o ambiente cultural dos jovens e crianças está cada vez mais diversificado  e complexo, o que cria um “gap” entre nós adultos e eles.  A intensa utilização da tecnologia, incluindo as redes sociais, ainda não vivida em plenitude pelos mais velhos, amplia este “gap”. Temos aqui a socialização dos jovens e crianças fortemente orientada pelas mídias sociais, às vezes de modo enganoso e mesmo perigoso; e se esse fato for combinado com  a fragmentação familiar cada vez mais notada, temos um cenário bem difícil de ser contornado…

Por outro lado, a mudança em curso das condições de trabalho, com exigências cada vez maiores de qualificação, bem como o aparecimento de novas carreiras, dificulta a escolha  dos jovens quanto aos caminhos a seguir em sua vida profissional… Tenho reparado um crescente número de profissionais formados em profissões tradicionais envolvidos em atividades muito distantes das quais se prepararam. Por quê? Excesso de profissionais? Falta de motivação e vocação para a carreira que escolheram sem pensar muito, ou influenciados por suas famílias? Algo a pensar…

No entanto, nota-se nos jovens uma grande preocupação para com o futuro e com o sucesso que nele poderão conseguir. E embora com seu quotidiano carregado com muitas atividades e com a escola não sendo mais o centro de suas atenções, continuam a dar grande importância ao diploma, mesmo que seja apenas para afirmar “sou formado(a) em”… E como, em sua grande maioria, são frequentadores assíduos e constantes das redes sociais, apresentam aumento em sua já natural dificuldade em estabelecer laços  pessoais e permanentes, perdendo a oportunidade de estabelecer redes de contatos, o que é fundamental no mundo de hoje. E em relação às crianças, esse é um apreciável problema, pois o fato de brincar livremente na natureza e em grupos é uma enorme fonte de descobertas e criatividade.

E mais: em um mundo complexo como o nosso, os jovens permanecem mais tempo instruindo-se, e podem assim manter dependência dos pais também por mais tempo. E, muitas vezes, por dificuldades financeiras e inadequação ao mercado de trabalho, voltam a residir com os pais ou familiares, criando o já reconhecido fenômeno dos “Filhos Vampiros”…

Um grande problema que também lhes é apresentado é a falta de perspectiva, aliada muitas vezes à falta de qualificações para o mundo moderno, que podem conduzi-los a disfunções sociais, como drogas, álcool, delinquência, etc.

Mas nem tudo está perdido: o importante é conhecermos estas tendências, e ajustarmos nossos padrões escolares e familiares à essas realidades. Sempre, ao longo do tempo,  a infância e juventude enfrentaram essas tempestades provocadas pelas mudanças sociais, e as venceram. Mas nós, adultos, podemos e devemos ajudá-los nessa batalha!

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