Pois é… Tendo sido docente por aproximadamente cinquenta anos, por profissão e vocação, pude constatar como o perfil dos alunos foi se modificando ao longo do tempo. E, continuando a dar aulas, aqui e ali, em cursos de extensão e similares, fico cada vez mais admirado de como nós, que nos dedicamos a “ensinar” outros, temos que refletir e mudar paradigmas…

Só para começar, segundo o belo trabalho de Abranches (1), teríamos que nos preocupar com a “ensinagem”, ou seja, praticar o ensino que traga uma verdadeira aprendizagem. Este é o problema! Como fazer? É aí que temos que quebrar nossas cabeças e usar a criatividade… 

Mesmo porque o aprendizado é natural… Como aprendemos a falar, a nos movimentar, a viver em sociedade, e assim por diante? Porque tínhamos interesse nisto, mesmo que não o percebêssemos… Acho que a interessante frase de Peter Gray, professor de psicologia do Boston College (EUA), nos dá algumas dicas da dificuldade da aprendizagem quando entra em cena a “escola”:

 “Nós os mandamos para a escola e depois nos perguntamos por que eles não são mais motivados. Porque tiramos os motivos básicos para o aprendizado: curiosidade, diversão, sociabilidade”.

  Complicado, não? Mesmo porque com tantos jovens, com tanta coisa para aprender para bem viver e conviver na sociedade moderna, não podemos, de modo prático, fugir facilmente de sistemas mais ou menos massificados de ensino…  Mas poderemos melhorar este quadro, usando nosso interesse e nossa criatividade… Mas como? Vamos pensar um pouco sobre isto?

Para ajudar a “bombar” nossa criatividade em desenvolver novas técnicas e metodologias a utilizar na sala de aula, vamos dar uma olhada em uma interessante pesquisa que foi feita pelo National Training Laboratories (Bethel, Maine, EUA), na década de 1960, que mediu as taxas de retenção de alunos após 24 horas de aprendizado variado (imagine agora, como seria… Mas é uma boa base para pensarmos…). O resultado foi o seguinte, a respeito das médias de retenção de conhecimentos com os métodos de ensino abaixo mostrados:

  • Leitura 10%
  • Utilização de audiovisuais 20%
  • Demonstrações 30%
  • Discussões  50%
  • Atividades práticas 75%
  • Ensinando 90%

Dá o que pensar, não? Aí, constatamos que na maioria das vezes nossos métodos de ensino baseiam-se apenas em aulas expositivas, com farta utilização de audiovisuais… Mas não tem problema, a tabela acima nos disponibiliza uma quantidade muito grande de possibilidades de melhorar nossas aulas, e mesmo as nossas tarefas corriqueiras de educadores! 

Referência:

  1. ABRANCHES, R da SILVA. Por uma pedagogia universitária: contribuições e possibilidades da educação para o empreendedorismo no século XXI. 2017.146 f. Dissertação de Mestrado em Educação – Universidade do Vale do Sapucaí. 2017.

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É graduado em Engenharia Elétrica (Instituto Nacional de Telecomunicações – INATEL), e pós-graduado em Docência do Ensino Superior em Educação. Foi professor, desde 1964, em diversos cursos técnicos, de engenharia, e de extensão, em diversas áreas técnicas, bem como em empreendedorismo e inovação. Também criou e coordenou diversas atividades ligadas ao desenvolvimento do empreendedorismo, no Inatel. Atualmente participa de programas de extensão e pesquisa ligados ao empreendedorismo, criatividade e inovação.