No “Engenharia em Pauta” da semana passada (no. 207), coloquei, meio que por desafio, algumas questões que sempre me vem à mente sobre as dificuldades de termos ou desenvolvermos mais inovações. E até citei que não me sentia nem saudosista nem pessimista sobre estas dificuldades, apenas realista.

E então eu gostaria de aprofundar este assunto, particularmente sobre alguns pontos específicos que lá tratei. Afinal, já falaram que “para que haja inovação eternamente, os questionamentos devem ser frequentes” (autor desconhecido, mas coberto de razão…).

O primeiro ponto que gostaria de tratar é sobre a “metáfora da árvore”, que, como já citei, consiste em considerar que as grandes inovações já ocorreram, porque já escalamos o tronco da árvore da inovação, e exploramos seus galhos mais fortes e grossos (as grandes e definitivas tecnologias), só nos restando os últimos galhos finos, fracos, difíceis ou mesmo impossíveis de explorar. 

Esta metáfora me parece meio absurda, e tomo a liberdade de compará-la com a famosa frase de Charles H. Duell, diretor do Departamento de Patentes dos Estados Unidos, que em 1899 supostamente teria afirmado que “tudo que poderia ter sido inventado já foi inventado”. E eu gostaria que ele pudesse ver agora como estava errado…  O fato é que hoje dispomos de novas tecnologias e ferramentas que nos permitem ir até mais longe do que os galhos finos e frágeis da árvore da inovação – e mesmo já estamos achando outras árvores no jardim da inovação! É só querer, regar e cuidar destas novas árvores, tendo em vista que a primeira (a da eletricidade, etc.) já foi bem explorada…

Outro ponto a comentar é sobre as dissertações de mestrado, teses de doutorado e mesmo bons trabalhos de iniciação científica, que, após serem “utilizados” para aumentar a titulação (merecida…) de seus autores, são confinados em bibliotecas e/ou assemelhados e então esquecidos, com raras exceções. Aí não foi apenas a motivação para a pesquisa de seus autores, mas sim, em nosso país, uma forte necessidade burocrática para o crescimento em suas carreiras. Quanto “fosfato”, quantas horas de trabalho, quanta dedicação, para que tudo se encerre nas horas das suas apresentações ou defesa! Que pena! Quantas boas ideias, quantas sementes de inovação, são então confinadas à poeira de prateleiras! Em minha opinião, com exceção da muito necessária pesquisa básica, a que tem por objetivo ampliar os limites do conhecimento humano, as dissertações, teses e trabalhos de iniciação científica deveriam ser calcados em necessidades da sociedade (lembre-se de que a necessidade é a semente da inovação…). Estas necessidades deveriam ser prospectadas e ofertadas aos candidatos à autoria destes importantes trabalhos, e então os resultados obtidos deveriam ser imediatamente aproveitados, até por organismos internos à própria academia, cuja função seria encaminhá-los à utilização real e objetiva, com ganho para todos. Não ocorreria então uma interessante fusão entre duas das principais finalidades da estrutura acadêmica, que são a pesquisa e a extensão? E o ensino, a terceira importante função, também não seria profundamente melhorada pelo contato do autor, geralmente um docente ou discente muito interessado, com a realidade do setor produtivo?

Algo mais para pensar, não? Assuntos bem complexos, e que envolvem paradigmas bem arraigados… Então, até a próxima!

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É graduado em Engenharia Elétrica (Instituto Nacional de Telecomunicações – INATEL), e pós-graduado em Docência do Ensino Superior em Educação. Foi professor, desde 1964, em diversos cursos técnicos, de engenharia, e de extensão, em diversas áreas técnicas, bem como em empreendedorismo e inovação. Também criou e coordenou diversas atividades ligadas ao desenvolvimento do empreendedorismo, no Inatel. Atualmente participa de programas de extensão e pesquisa ligados ao empreendedorismo, criatividade e inovação.