Continuando esta conversa sobre a utilização da Taxonomia de Bloom no ensino em geral, e particularmente no ensino de engenharia (assunto dos dois “Engenharia em Pauta” anteriores), relembro que o segundo e terceiro “degraus” na escala crescente da ordem em que se dá o processo de aprendizagem, partindo das de habilidades de ordem inferior para as habilidades de ordem superior, são:

  • Entender: compreender, interpretar, resumir, explicar, comparar, etc.
  • Aplicar: implementar, desempenhar atividades, usar, executar.

Para facilitar, lembro que o primeiro degrau é o de Recordar, ou seja, listar, memorizar, identificar, encontrar, descrever, etc., e que infelizmente é o mais cuidado em todos os graus do sistema escolar (também nos cursos de engenharia, na maioria das vezes…), embora seja evidentemente também muito importante.

Pois é, mas entender é fundamental. Como posso dizer que aprendi, ou praticar e mesmo explicar algo que não entendo?  Daí ser tão necessário que docentes e discentes preocupem-se, e muito, com este nível. Se fico só na memorização de um assunto, não o conheço. E para entender preciso de tempo e dedicação; aí ocorre mais uma vez o dano provocado pelo “conteudismo”, ou seja, o docente, pressionado por extensos currículos, vai para a frente com a “matéria” de qualquer modo, e o discente,  geralmente apenas preocupado com as provas, só vai dar uma olhada neste conteúdo lá pelas vésperas da avaliação… Que pena! Qualquer que seja a sua precária aprendizagem sobre um determinado assunto ela vai se desvanecer com facilidade pouco tempo depois…

O terceiro nível, o de aplicar, é profundamente ligado ao segundo (entender), e pode ser uma ferramenta importante para que se logre aprendizagem nos dois… De fato, só posso aplicar o que entendi… E existem ferramentas importantes que podem ser utilizadas aqui, desde exemplos e exercícios interessantes, baseados em aplicações reais, na vida do dia a dia, até metodologias mais complexas, mesmo assim fáceis de utilizar. Uma delas é o PBL (Problem Based Learning), ou seja, Aprendizado Baseado em Problemas, que consiste em uma metodologia ativa, onde os próprios alunos vão aprendendo enquanto resolvem problemas reais, tendo o professor assumido o papel de proponente do problema e orientador do trabalho de seus alunos. Em engenharia, que tem como função básica a resolução de problemas em cada um de seus campos de atuação, a utilização desta metodologia é altamente eficaz.

E as modernas ferramentas tecnológicas também podem ajudar, e muito. Na etapa de entender, estas ferramentas permitem que o aluno faça buscas avançadas, além das básicas utilizadas no primeiro nível (recordar), e delas tire conclusões também mais avançadas, de sua própria lavra… Eles também podem ser desafiados a construírem seus próprios “blogs” sobre o assunto, e também o discutirem, em grupos virtuais. E assim por diante…

Na terceira etapa, que á a de aplicar, eles podem começar a compartilhar informações novas, a propor grupos virtuais de discussão, a pesquisar mais profundamente o assunto, a propor desdobramentos do mesmo, etc. É colocar os alunos trabalhando com o assunto!

Enfim, como um antigo programa de televisão já afirmava, “o céu é o limite” na criatividade, neste caso. As ferramentas estão aí mesmo… E uma dica: por que não deixar os próprios alunos fazerem proposições de como um assunto pode ser melhor apreendido? Tente, professor, você vai gostar!

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É graduado em Engenharia Elétrica (Instituto Nacional de Telecomunicações – INATEL), e pós-graduado em Docência do Ensino Superior em Educação. Foi professor, desde 1964, em diversos cursos técnicos, de engenharia, e de extensão, em diversas áreas técnicas, bem como em empreendedorismo e inovação. Também criou e coordenou diversas atividades ligadas ao desenvolvimento do empreendedorismo, no Inatel. Atualmente participa de programas de extensão e pesquisa ligados ao empreendedorismo, criatividade e inovação.