Definitivamente, não podemos “ficar por fora” destes “novos tempos”, sob pena de não entendermos bem o que está acontecendo, e então sermos soterrados pelos escombros do “tsunami tecnológico” que já está nos afetando e nos envolvendo em suas primeiras ondas… Em tempos de comunicações ultrarrápidas, redes sociais atuando fortemente na sociedade (às vezes, de modo danoso…), de Inteligência Artificial, robótica e automação crescentes, de rápidas mudanças no perfil do mercado de trabalho, com extinção de empregos e substituição por outros muito mais sofisticados, e assim por diante, ficar por fora é perigoso… Aliás, Klaus Schwab, no seu antológico livro “A Quarta Revolução Industrial” (1) nos adverte fortemente sobre este tipo de “ignorância”, tanto em nível mundial, quanto em nível local…

O que fazer, então, em relação a este problema tão complexo? De algumas coisas tenho certeza, pelo menos em relação aos jovens, esperança de nosso futuro: educação correta e ambiência tecnológica.

Justifico esta minha afirmativa baseado em “como funcionamos”, segundo o psiquiatra Eric Berne, criador da “Análise Transacional”. Dentre várias considerações importantes que este método de psicoterapia traz, ele supõe que todos nós nascemos com todo o ferramental necessário para bem viver; também segundo esta teoria, há a diferenciação entre caráter e personalidade. O caráter, nesta linha de pensamento, é definido pelas tendências que já trazemos, ao nascer; já a personalidade vem basicamente do meio externo, ou seja, da educação e das influências do entorno e da sociedade, de modo geral. 

Então, se adotarmos esta linha de pensamento, podemos constatar que a personalidade, segundo Berne, pode ser trabalhada, enquanto o caráter é imutável. Daí, vemos que sermos felizes, criativos e progressistas, vai depender do meio em que vivemos, e da educação que tivemos ou podemos vir a ter, bem como de nossa vontade de mudar… Aí volto ao meu segundo parágrafo deste “Engenharia em Pauta”: precisamos, nestes novos tempos, para bem compreendê-lo e dele desfrutar, com todas suas potencialidades, de vontade (fortalecida por bons exemplos…), educação correta e ambiência tecnológica.

Quanto à educação, ela precisa ser mais dinâmica, participativa e desafiadora, e não passiva, conteudista, e mesmo repressora. E também a este novo tipo de educação, soma-se a necessidade de ser realizada em um ambiente que permita o uso efetivo das ferramentas tecnológicas que já estão disponíveis. Quantas metodologias podem ser desenvolvidas com os novos recursos! Basta querer…

E, caminhando mais um pouco neste raciocínio, podemos ver que também seria benéfico pensarmos sobre a infraestrutura que nos rodeia, tanto familiar, quanto escolar e também a de nossa cidade… Uma família que discuta abertamente o uso correto da tecnologia, e a utiliza para viver melhor, é algo fundamental; nas escolas, ambientes abertos, bem decorados e sugestivos, e nos quais estão disponíveis as ferramentas tecnológicas, utilizadas corretamente a partir da utilização de metodologias ativas e desafiadoras, é algo fantástico; e mesmo nas nossas comunidades urbanas, que, mesmo que de modo simples, nos mostrem a “vocação” da comunidade, para criar um ambiente em que a consciência coletiva transpire um ar de progresso e orgulho, é também extremamente importante. E aqui, as ferramentas tecnológicas podem ser grandes auxiliares, com totens informativos bem localizados, painéis com notícias interessantes, praças temáticas, etc. É só querer, e constatar os bons resultados!

Referência:

  1. SCHWAB, K. A Quarta Revolução Industrial. São Paulo: Edipro, 2016. 159 p.

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