É, meus amigos, quando nos achamos em situações contraditórias e precisamos sair  delas, temos mesmo que utilizar toda nossa criatividade e inventividade… Não é caso de nenhum de nós, mas pense, por exemplo, quando somos pegos em uma situação que desejamos esconder, como a omissão de um fato importante… Haja criatividade!

Mas na engenharia a contradição se apresenta como um motivador para uma solução criativa, inventiva. Se todas as soluções do mesmo problema sempre fossem as mesmas, como teríamos progredido? E aí temos a afirmativa que fiz no “Engenharia em Pauta” da semana passada, que nos diz que “todo sistema físico tende a ser ideal”. Por exemplo, quando Lee de Forest inventou a “Válvula Termoiônica”, sob forma de um triodo (*), em 1907, foi uma maravilha, e a eletrônica se desenvolveu amplamente. Mas este dispositivo era uma ampola de vidro, na qual se fazia o vácuo (aliás, ela nasceu da lâmpada incandescente…), esquentava, gastava muita energia para aquecer seu filamento – como o da lâmpada incandescente (hoje de fabricação proibida), etc. Aí foi desenvolvido o transistor, pequeno, sem filamento, gastando o mínimo de energia para o seu funcionamento básico, mas de modo geral realizando as mesmas tarefas da válvula. Mas depois ele ficou muito grande para o desenvolvimento dos novos dispositivos – e tinha que diminuir… E aí veio a microeletrônica, com transistores microscópicos. Percebeu as contradições e os resultados em soluções extremamente criativas e inovadoras? Pois é… E se pensarmos nos outros dispositivos modernos, poderíamos constatar casos similares.

Mas quem estudou bem profundamente esse assunto de resolução de contradições de modo a facilitar a criatividade e a inventividade foi, como já citei na semana passada, o cientista russo G. S. Altshuller (1926 – 1998) e seus colaboradores, que desenvolveram o método TRIZ, que significa Teoria da Resolução de Problemas Inventivos. De acordo com Altshuller, problemas inventivos constituem um tipo especial de problemas – aqueles que contêm contradições, ou seja, quando você melhora uma situação, outra seguramente vai piorar… O problema a ser resolvido pelo método TRIZ é minimizar, criativamente, este tipo de efeito. Alguns estudiosos do tema até consideram que Altshuller procurou criar uma metodologia que tornasse a criatividade uma ciência exata…

Por exemplo, se você quer aumentar o número de passageiros de um veículo, a solução natural, não criativa, é fácil: basta aumentar o seu tamanho e a potência do motor – o problema, a contradição, está então em como transportar mais passageiros sem aumentar o tamanho do veículo e a potência do motor. É o que a metodologia TRIZ se propõe a nos ajudar… Pode–se então afirmar que, sem a existência de contradições no projeto, não há necessidade de usar a criatividade – a solução está pronta e é fácil! Mas como resolver as contradições, elaborando soluções realmente inéditas e inovadoras?

Então vamos conhecer, nos próximos “Engenharia em Pauta”, este interessante método de praticar a engenharia criativa? Aliás, ouso acrescentar que nos cursos de engenharia esta metodologia, além de ser apresentada aos alunos, deveria ser praticada…

Até semana que vem, então…

(*) Triodo – dispositivo eletrônico que permitia o controle eficaz de uma corrente elétrica, a partir de pequenas variações de tensão em sua entrada (a “grade de controle”), permitindo assim ações de amplificação de sinais, além de várias outras funções eletrônicas.

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