E aí, você já teve uma boa e inovadora ideia para solucionar o problema? Muito bom! Agora, a tarefa é projetar, começar a dar forma à sua ideia – esta é uma das boas partes de “engenheirar”…

Em primeiro lugar, procure não se fixar na primeira ideia de projeto que você tiver! Essa primeira ideia tem o poder de nos escravizar e de moldar nosso pensamento, e não é bom que isso aconteça… Procure ver outras possibilidades dentro das tecnologias e materiais disponíveis. Não complique a solução – e isto é uma tentação, já que as modernas tecnologias permitem expansões da ideia original! O grande “guru” da inovação, Peter Drucker, já nos avisava sobre isso em seus “mandamentos” para uma boa inovação, os famosos “Faça”… (1). Ouso afirmar que eles valem também para uma boa solução: ela deve estar dentro de conceitos estabelecidos, e ser percebida como solução pelo usuário; e deve também ser simples, mas sempre visando a liderança, pela genialidade da solução, pela aplicabilidade, valor agregado, etc. 

E quando você for começar a projetar, também vão começar os problemas, relativos à dificuldade de materiais, custo dos mesmos, tecnologias disponíveis, tamanho possível para a solução, parâmetros a considerar, tais como ambientais, sociais, econômicos, mercadológicos, políticos, ecológicos, etc. Mas atenção: quando começar, não se prenda muito a estes fatores: vá ajustando-as ao longo do projeto! Atualmente, já começam a “pipocar” artigos, bem sérios, que afirmam que nós, engenheiros, ao solucionarmos um problema, temos que procurar estudar também quais os impactos que nossas soluções causarão ao conjunto da sociedade, agora e no futuro… Então, à medida que os problemas forem aparecendo e sendo solucionados, é muito importante que estas soluções parciais sejam documentadas e guardadas, pois poderão ser aproveitadas em projetos posteriores ou mesmo como subsídios para novas ideias. É, fosfato custa dinheiro, e não pode ser jogado fora!

Definida a que parece ser a melhor solução, é partir para um protótipo, simples. Apenas um MVP (“Minimum Valuable Project” – “Produto Mínimo Viável”) já pode bastar… Segundo (2), MVP significa:

“É uma prática de administração de empresas que consiste em lançar um novo produto ou serviço com o menor investimento possível, para testar o negócio antes de aportar grandes investimentos. Um MVP é uma versão mínima do produto, apenas com as funcionalidades necessárias para que ele cumpra a função para a qual foi planejado. A partir do MVP testa-se a eficiência do produto, sua usabilidade, aceitação no mercado, comparação com a concorrência, entre outras formas de validar. Depois desta etapa de validação, o produto volta a ser desenvolvido e aprimorado, para só depois disso ganhar o mercado propriamente, com investimento em marketing e etc.”.

Bem interessante, não? E das opiniões dadas pelos interessados, futuros clientes, etc., podem surgir novas ideias aplicáveis à solução, modificações bem interessantes, novas funcionalidades que não foram percebidas, e assim por diante. Poderão aparecer até boas sugestões de novos modos de solucionar o problema, melhores em relação às que pensamos inicialmente. Acontece isto, bem sabemos!

Vamos continuar este “papo” no próximo “Engenharia em Pauta”? Até semana que vem, então!

Referências:

(1) DRUCKER, P. F. Inovação e espírito empreendedor: prática e princípios.5 ed. São Paulo: Pioneira Editora.377 p. Trad.:Carlos J. Malferrari.

(2)  https://www.significados.com.br/mvp/, acessado em 09 de março de 2019.

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É graduado em Engenharia Elétrica (Instituto Nacional de Telecomunicações – INATEL), e pós-graduado em Docência do Ensino Superior em Educação. Foi professor, desde 1964, em diversos cursos técnicos, de engenharia, e de extensão, em diversas áreas técnicas, bem como em empreendedorismo e inovação. Também criou e coordenou diversas atividades ligadas ao desenvolvimento do empreendedorismo, no Inatel. Atualmente participa de programas de extensão e pesquisa ligados ao empreendedorismo, criatividade e inovação.