No ciclo de um projeto para solucionar um problema, após termos tido a melhor ideia de solução (pelo menos em princípio…) e implementá-la, mesmo que seja em nível de um MVP, uma maquete, um modelo físico miniaturizado, etc., vem agora a tarefa de mensurar a efetividade da solução. Este é mais um tipo de engenharia, bem complexo e interessante, pois as possibilidades se abrem, já que agora teremos que pensar no modo mais efetivo de testar a solução. Ou seja, de medir os resultados desejados, de corrigir os defeitos, de melhorar os pontos bons, e assim por diante…

E aí temos muitas ferramentas modernas: por exemplo, para testar uma antenatemos câmaras apropriadas, nas quais não penetram as ondas eletromagnéticas provenientes do exterior, e nas quais as reflexões das ondas geradas pela antena em teste não são refletidas, simulando assim o espaço “puro”; isto possibilita conhecer os parâmetros reais da antena em teste,ajustando-os, se for o caso, ao que se deseja – solução cara, mas que também pode ser simulada em computadores… Para testar um novo tipo de aeronave ou superfície aerodinâmica, coloca-se um modelo da mesma em um “túnel de vento”, e assim pode-se verificar suas reais propriedades aerodinâmicas. Para testar um novo automóvel em seu desempenho real, coloca-se um protótipo bem disfarçado rodando pelas estradas (você já deve ter visto algum – um veículo que parece ter sido pintado por um maluco...), ou são feitos testes em algo como esteiras rolantes, que simulam as piores estradas do mundo. E mesmo são feitos testes destrutivos, nos quais o veículo é lançado contra obstáculos, com manequins dotados de sensores, simulando os passageiros, para testar suas características de segurança. Para testar uma solução bem complexa, como, por exemplo, o aterro da praia de Copacabana (sim, ela já foi bem menor do que é hoje), foi construída toda uma praia idêntica, em modelo físico, com todas as inflexões de correntes marítimas, etc., para que se verificasse se o aterro não se diluiria com o tempo, destruindo a nova praia… Pode-se passar também a testes de campo, nos quais o protótipo é entregue a usuários comuns, que o utilizarão por um tempo, e então darão suas opiniões a respeito de sua utilidade, efetividade, segurança, etc. É, testar e mensurar é divertidíssimo, e implica grande criatividade.

Uma dica muito importante: segundo Murray (1), na avaliação de um projeto ou mesmo de uma ideia, é conveniente começarmos por tentar descobrir seus pontos negativos, e quando eles tiverem sido bem examinados e eventualmente corrigidos, aí sim deveremos ir para os pontos positivos, ou seja, o que deu certo. Isto facilita o trabalho, porque uma das características naturais do ser humano é inicialmente “enxergar” o lado negativo de uma ideia ou proposta. E aqui entre nós: isto não é verdade?

Isto também evita o “apaixonar-se” pela solução. Já vi muitas vezes isto acontecer, sendo que o engenheiro autor dela não aceita nenhuma opinião em contrário, podendo levar a solução ao descrédito ou à inutilidade…  Um perigo, infelizmente muito comum – por este motivo utilizam–se técnicas como o “Design Thinking”, no qual uma possível solução é levantada por um grupo de pessoas, em um time multidisciplinar.

Também é necessário verificar a efetividade real da solução ou proposta de solução de modo ainda mais perfeito. Vamos discutir isto no próximo “Engenharia em Pauta”? Até lá, então

Referência:

(1) MURRAY, D. K. A arte de imitar: seis passos para inovar em seus negócios copiando as ideias dos outros. São Paulo. Elsevier, 2011. 238 p.

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É graduado em Engenharia Elétrica (Instituto Nacional de Telecomunicações – INATEL), e pós-graduado em Docência do Ensino Superior em Educação. Foi professor, desde 1964, em diversos cursos técnicos, de engenharia, e de extensão, em diversas áreas técnicas, bem como em empreendedorismo e inovação. Também criou e coordenou diversas atividades ligadas ao desenvolvimento do empreendedorismo, no Inatel. Atualmente participa de programas de extensão e pesquisa ligados ao empreendedorismo, criatividade e inovação.