No “Engenharia em Pauta” da semana passada estávamos conversando sobre o problema das metodologias de ensino atuais, muito baseadas em aulas expositivas. Também comentamos sobre a necessidade de se utilizar algum tipo de “metodologia ativa” para sair da passividade de “assistir aula”, estudar em véspera de provas, e no final do curso “guardar em uma gaveta mental” (que talvez nunca mais seja aberta…) resíduos do que foi ministrado… Em consequência, não houve aprendizagem significativa! Já em uma metodologia ativa, é o aprendiz que vai enfrentar um problema real, proposto e orientado por alguém de mais experiência, dentro de um programa previamente traçado no conteúdo previsto, e então vai se defrontando com as ferramentas necessárias para sua solução, apreendendo-as de modo eficaz…

Existem várias possibilidades de se desencadear um ciclo de aprendizagem ativa, ou de colocar-se em prática alguma metodologia ativa. Basta ter em mente que a aula formal tem importância apenas para que o aprendiz tenha um primeiro contato com o conteúdo, de forma concatenada, e dentro do conteúdo proposto. Afinal, sempre tem que ser construída uma base, um alicerce, para a construção de um edifício… Mas, daí para frente, é o aprendiz que tem que construí-lo, é claro que com o apoio dos colegas e do mestre… Assim, por exemplo, não deixa de ser uma metodologia ativa um bom exercício, resolvido em equipe, envolvendo uma situação real e prática voltada ao conteúdo desejado…

Um bom modelo de metodologia ativa está no PBL, ou Problem Based Learning, que, como o próprio nome diz, é uma técnica pedagógica na qual os alunos aprendem resolvendo um problema no âmbito do conteúdo previsto. Na utilização do PBL, habilidades interessantes também são desenvolvidas, melhoradas as capacidades de raciocínio do aprendiz, bem como logra-se desenvolvimento de novas estratégias de pensamento.

E como funciona? Com turmas maiores, é conveniente dividi-la em grupos, que formarão equipes (melhor que isto seja feito pelo docente, para garantir diversidade e evitar “panelinhas”, com pensamento homogêneo). Isso feito, em primeiro lugar, é formulado e proposto um problema aos alunos, dentro do conteúdo previsto; este problema deve estar o mais próximo possível da realidade dos alunos, e será melhor que seja um pouco difícil e intrigante, mas com solução baseada no conteúdo a apreender; em segundo lugar, provoca-se uma discussão ampla sobre o mesmo, até que ele seja totalmente compreendido e tenha seus aspectos importantes bem conhecidos; em terceiro lugar, cada aluno deverá fazer sua própria pesquisa sobre o problema, de modo independente, e desenvolver talvez algumas ideias de solução; em quarto lugar, reúne-se outra vez a turma, ou o grupo, para um brainstorming, em que soluções são apresentadas, bem como encontrados novos rumos para uma solução interessante e viável. Este ciclo pode ser repetido algumas vezes, até que o problema esteja completamente resolvido e a solução seja aceita por todos. 

Seguindo-se esta metodologia, é possível constatar o grande ganho na aprendizagem que é possível lograr-se com ela: a motivação dos alunos é fortemente incrementada, fica claro o reconhecimento do que é possível fazer com o conteúdo proposto, ocorre utilização ativa do tempo dos alunos, que não se preocuparão tanto com a memorização; ocorre também a descoberta de que os conhecimentos são flexíveis e interligados e ficam reconhecidas as habilidades de trabalho em grupo e a vantagem da aceitação de novas ideias; Finalmente, há autoaprendizagem, habilidade fundamental nos dias de hoje. Tudo isto apenas para citar algumas vantagens do PBL…

Voltamos a conversar sobre tudo isto na semana que vem?  Até lá, então!

Achou útil essa informação? Compartilhe com seus amigos! 🙂

Deixe-nos a sua opinião aqui nos comentários.