Tudo sobre o curso de Engenharia de Biossistemas

A engenharia de Biossistemas é um novo ramo da Engenharia no Brasil, que lida com a produção agropecuária, de certos materiais, alimentos, energia limpa e biomassa, buscando o aumento da produção agropecuária e de sua qualidade, sobretudo a sustentabilidade do sistema através da incorporação de uma infraestrutura tecnológica, gerando assim um volume de produção que atenda às necessidades da população sem prejudicar o ambiente e a sociedade como um todo.

Graduação:

O curso de Engenharia de Biossistemas traz em seu currículo matérias básicas de engenharia durante os primeiros semestres. Nas disciplinas profissionalizantes, o aluno tem um amplo contato com matérias nas áreas de energia, produção animal e vegetal, robótica, irrigação, construções rurais, controle de qualidade, máquinas agrícolas, dentre
outros.

Durante o último semestre, o aluno faz um estágio supervisionado e tem a oportunidade de cursar disciplinas eletivas que orientam sua formação para uma área específica da profissão.

Possíveis especializações:

O profissional da Engenharia de Biossistemas pode trabalhar junto ao agronegócio em qualquer tipo de sistema de produção, seja ele agrícola ou pecuário e em qualquer uma de suas etapas – da produção propriamente dita à comercialização e distribuição de produtos destas atividades.

Agricultura de Precisão e Georreferenciamento: desenvolvimento de mapas de produtividade através da aquisição de imagens por satélite (imagens orbitais) ou  por sobrevoo (imagens aéreas); desenvolvimento de sistemas automatizados para o monitoramento e atuação em tempo real no campo, de acordo com as condições do cultivo, disponibilidade de nutrientes e as condições ambientais (temperatura, umidade, índice de radiação solar, estresse hídrico, dentre outros); desenvolvimento de sensores, bancos de dados, redes de transmissão de sinais, aplicando conhecimentos avançados da robótica e da tecnologia da informação para a maximização da produtividade agrícola.

Bioenergia e Biocombustíveis: Pesquisa de novas fontes de energias renováveis; desenvolvimento de sistemas de cogeração de energia elétrica ou calor (energia térmica) a partir de resíduos de atividades florestais, madeireiras, pecuaristas ou agrícolas; geração distribuída de energia elétrica; geração termo solar ou até mesmo fotovoltaica; desenvolvimento e melhoria de processos e/ou equipamentos para produção de biocombustíveis avançados, dentre outros.

Construções Rurais e Ambiência: planejamento de edificações que atendam às condições de conforto térmico e de sustentabilidade; pesquisa e desenvolvimento de diferentes tipos de materiais (reciclados ou não) que possam ser utilizados em nas construções; optimização das condições das instalações, visando o aumento da produtividade agrícola (estufas) e/ou animal (granjas, currais, salas de ordenha, etc.); projetar edificações para o armazenamento de insumos e produtos da atividade agrícola, aproveitamento de energia, rotinas de operação, etc.

Mecanização Agrícola: projetar e desenvolver máquinas agrícolas ou os elementos que as compõem; projetar equipamentos de colheita, transporte, fertilização, mapeamento; desenvolvimento de sistemas integrados com GPS e/ou comunicação wireless; demarcação de talhão e zoneamento das fazendas; desenvolvimento de bombas e sistemas de distribuição para irrigação, de refrigeração, etc.

Tecnologia Pós-Colheita: tratamento, separação, classificação, beneficiamento e armazenagem dos produtos agrícolas; secagem de grãos; desenvolvimento de algoritmos de análise de imagens para classificação automática dos produtos; análise de qualidade; sistemas de distribuição, transporte e armazenagem; implementação de bancos de dados na cadeia logística.

Zootecnia de Precisão: individualização dos animais, melhoramento e precisão na distribuição de ração, nutrientes e água nos sistemas produtivos; desenvolvimento de equipamentos não invasivos para identificação dos animais, por exemplo ; monitoramento do bem estar animal; desenvolvimento de novos equipamentos para aquisição de imagens termográficas, a fim de se traduzir as condições de saúde de determinado animal, dentre outros.

O mercado de trabalho:

O mercado de trabalho para esse profissional é bastante amplo, visto que sua atuação se divide em inúmeras possibilidades. Ainda que não exista uma turma formada em Engenharia de Biossistemas, verifica-se que este profissional é bastante desejado no mercado devido à sua formação multidisciplinar e visão diferenciada sobre a produção agropecuária.

Com leis ambientais mais severas, aumento da procura por alimentos e o bom período econômico que o país vive, faz com que se busque mão de obra mais qualificada para trabalhar com os sistemas de produção de alimentos, resíduos, energia, minimizando custos de produção, aumentando a produtividade e reduzindo o impacto sobre o meio ambiente.

O Engenheiro de Biossistemas pode trabalhar em empresas do setor de máquinas agrícolas e/ou instrumentação; usinas sucroalcooleiras e de outras matrizes energéticas; plantas de produção animal (laticínios, granjas, frigoríficos, etc); redes de distribuição de alimentos; escritórios de engenharia – construção de instalações voltadas à produção animal e/ou vegetal; consultoria; órgãos públicos de pesquisa (Embrapa, APTA, Universidades); etc.

Fonte da imagem AFNR / Shutterstock.com