Após o rompimento da barragem em Brumadinho (MG), que deixou até agora mais de 150 mortos, todos ficaram apreensivos e querendo mais segurança dessas estruturas.

Carlos Barreira Martinez, professor da Universidade Federal de Itajubá, Unifei, aponta que o trabalho para garantir a segurança dessas estruturas ainda não acabou.

“Barragens já existentes precisam de manutenção para o resto da vida. Mesmo descomissionadas, ainda dão trabalho para no mínimo 50 anos. Isso é mais do que a duração de uma vida profissional. Esse modelo de barragem era muito comum na década de 70, hoje é evitado por ter apresentado problemas”, comenta o professor, que diz que nem em sala de aula ele usaria o modelo de montante.

No Brasil, que profissionais garantem a segurança de estruturas como a de Brumadinho?

De acordo com o professor, obras de grande tamanho e impacto demandam uma equipe diversa de especialistas, envolvendo o trabalho de engenheiros civis, geólogos, engenheiros de minas, especialistas de meio ambiente, biólogos, sociólogos e engenheiros hidráulicos.

O trabalho começa antes da construção, com a análise de impacto para que a obra seja aprovada e instalada, e permanece até o fim da atividade mineradora. “A segurança nesse sistema precisa estar acima de tudo. Se em uma obra é inviável garantir a segurança, então todo o projeto é inviável”, diz ele.

Martinez leciona a disciplina optativa de segurança de barragens na Universidade Federal de Itajubá. Nas aulas, os alunos de engenharia aprendem sobre tipos de estrutura, como se faz uma inspeção de barragens, a identificação de características de deterioração do concreto e do solo, deslocamentos e processos de ruptura.

Além disso, o professor aborda planos de ação emergenciais e como deve ser feita a reabilitação de barragens.

“Com esse conteúdo, o profissional chega ao trabalho de campo com outra visão. Profissionais assim serão mais necessários ainda agora. Achei que não íamos ter alunos, mas a procura pela matéria foi grande”, fala o professor.

E para evitar tragédias como a de Brumadinho, além da disciplina lecionada na Universidade, uma empresa incubada na Unifei desenvolveu um sistema óptico de monitoramento de barragens e hidrelétricas. Com o equipamento, é possível monitorar as barragens através de lasers de alta precisão.

Com o equipamento desenvolvido em Itajubá, é possível monitorar as barragens através de lasers de alta precisão. — Foto: Reprodução EPTV

“É um aparelho que fica posicionado em frente à barragem, fora da estrutura de barramento, um terreno inerte e ele faz a leitura de múltiplos pontos na estrutura, como se fosse um escaneamento desses alvos, então ele informa a posição exata que a barragem está com posição milimétrica”, explica o engenheiro civil Daniel Carlos Ribeiro Trautwein.

Através dele, o monitoramento da barragem é feito em tempo real, 24 horas por dia. Qualquer anormalidade é percebida por ele e assim é possível evitar novos desastres. A tecnologia já está em fase de teste em uma mineradora do Brasil.

“A gente consegue identificar e informar em tempo real, o início da deformação dessa estrutura. Então a gente consegue proporcionar um tempo hábil, a partir do nosso alerta, para que ações sejam tomadas”, explica o engenheiro Daniel.

Para conferir vídeo da matéria da EPTV, clique aqui.

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