No estágio inicial do universo primitivo, a escuridão era tão profunda que qualquer visibilidade seria praticamente impossível.
Foi somente com a formação das primeiras estrelas que a luz ultravioleta (UV) começou a penetrar e iluminar os arredores cósmicos. No entanto, intrigantemente, antes mesmo desse fenômeno, uma luz enigmática conhecida como emissões Lyman-alfa já preenchia o universo.
De acordo com um estudo recente publicado na revista científica Nature Astronomy, os pesquisadores podem finalmente ter desvendado os segredos por trás das emissões Lyman-alfa.
Com o surgimento das primeiras estrelas e sua emissão de radiação UV, os cientistas denominaram esse período como a “Época da Reionização”. No entanto, o que ocorreu nos estágios anteriores a esse evento crucial ainda permanece envolto em mistério, desafiando nosso entendimento.
Para desvendar a origem das emissões Lyman-alfa, os cientistas recorreram aos dados do Telescópio Espacial James Webb (JWST), cujos instrumentos são capazes de captar informações provenientes das estrelas nas primeiras galáxias do universo.
Os astrônomos, ao analisarem minuciosamente os dados do JWST, conseguiram identificar a fonte de uma das regiões do universo primitivo responsável pela emissão de Lyman-alfa, localizada na galáxia EGSY8p7.
De acordo com os resultados obtidos, essa região revelou-se um aglomerado de galáxias menores e mais obscuras que anteriormente escaparam à detecção pelo Telescópio Espacial Hubble.
Este achado significativo oferece insights valiosos sobre uma parte até então não explorada do cosmos, destacando a capacidade única do JWST em desvendar segredos cósmicos anteriormente inacessíveis.
“No presente estudo, capitalizamos sobre a vantagem ímpar proporcionada pelas imagens de alta resolução e sensibilidade da câmera próxima ao infravermelho do Telescópio Espacial James Webb.
Revelamos que todas as galáxias na amostra de emissores Lyman-alfa com redshift possuem companheiras próximas”, detalharam os pesquisadores em seu artigo.
James Webb: Lyman-alfa e as primeiras galáxias do universo

Os cientistas esclarecem que as primeiras galáxias que se formaram durante os estágios iniciais do Big Bang emitiam quantidades substanciais de emissões Lyman-alfa.
No entanto, a maioria dessas emissões foi ‘bloqueada’ pelo hidrogênio que preenchia o espaço entre essas galáxias. A explicação reside nas fusões galácticas e na formação estelar que caracterizaram o universo primitivo, sendo esses processos os responsáveis pelo intrigante brilho misterioso dos primórdios cósmicos.
Essa dinâmica cósmica revela a complexidade dos eventos que moldaram o início de tudo e ressalta a importância do entendimento desses fenômenos para decifrar os mistérios fundamentais da nossa origem.
A descoberta surgiu da comparação entre uma simulação de fusão galáctica e uma imagem real capturada pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST), realizada pelos autores do estudo.
Os resultados obtidos revelam que as galáxias e estrelas primitivas emitem emissões Lyman-alfa, e, resumidamente, as fusões galácticas emergem como o fator preponderante nesse processo.
Esse insight é fundamental, pois conecta a teoria das simulações computacionais à observação real, fortalecendo nossa compreensão sobre como as fusões galácticas desempenharam um papel crucial na geração desse fenômeno cósmico específico.

É crucial ressaltar que os cientistas estão comprometidos em conduzir mais experimentações para validar suas teorias e aprimorar nossa compreensão sobre as emissões no início do universo primitivo.
Como destacou outro autor do estudo, Sergio Martin Alvarez, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos: “Enquanto o Hubble percebia apenas uma grande galáxia, o Webb revela um aglomerado de galáxias menores em interação. Essa revelação teve um impacto significativo em nossa compreensão das emissões inesperadas de hidrogênio provenientes de algumas das primeiras galáxias. Continuaremos a explorar esses mistérios cósmicos, aproveitando as capacidades únicas do Telescópio Espacial James Webb para desvendar os segredos do universo primitivo”.
Fonte: Nature Astronomy
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