Os primeiros rastros assustadores que saíram dos antigos lagos e chegaram à Terra podem muito bem ter feito isso com centenas de pés minúsculos.

Depois de datar com cuidado os fósseis de insetos mais antigos já descobertos, os cientistas agora pensam que um gênero extinto de miríodo, um parente das milípedes modernas, representa a evidência direta mais antiga de um animal vivendo e respirando em terra.

A vida na Terra começou em uma sopa primordial, e os insetos – ou mais especificamente os artrópodes, incluindo insetos, aranhas e centopéias – são considerados alguns dos primeiros animais a deixar esse banho reconfortante para sempre.

De fato, suspeita-se que outros tipos de insetos tenham batido miríades em terra. Mas só temos evidências indiretas de suas incursões no solo por trilhas e trilhas, e elas podem representar apenas excursões fugazes para o mundo acima, em vez de torná-lo seu lar permanente, como os miríápodes fizeram.

Descoberto pela primeira vez em 1899 em uma ilha escocesa, o fóssil do miríade Kampecaris obanensis foi datado radiometricamente de cerca de 425 milhões de anos atrás.

Se a nova data estiver correta, esses antigos de muitas pernas seriam os animais terrestres mais antigos que viveram fora da água. E a jornada deles foi pioneira.

Apenas 20 milhões de anos após Kampecaris, o registro fóssil revela abundantes depósitos de insetos e, 20 milhões de anos depois, aranhas e insetos parecem estar prosperando nas comunidades da floresta.

“É um grande salto desses pequenos indivíduos para comunidades florestais muito complexas e, no esquema das coisas, não demorou muito”, diz o geocientista Michael Brookfield, da Universidade do Texas e da Universidade de Massachusetts.

“Parece haver uma rápida radiação da evolução desses vales montanhosos, até as planícies e depois para todo o mundo depois disso”.

Obviamente, isso se baseia apenas nos fósseis encontrados até agora, mas os pesquisadores dizem que o fato de não haver outras descobertas por aí, apesar de observar alguns dos sedimentos mais bem preservados dessa época.

Dado o quão importante esses bugs são considerados na história do nosso planeta, Brookfield ficou surpreso ao descobrir que esse fóssil não havia sido datado antes, embora ele admita que é um trabalho demorado e delicado.

Ao analisar essas rochas antigas, os cientistas devem extrair inclusões microscópicas de zircão, que podem ser usadas para datar com precisão os sedimentos.

Essa prática requer um olho de águia e uma mão cuidadosa, e, dada a rapidez com que esses zircões podem ser eliminados acidentalmente, não há muito espaço para erro.

A geocientista e co-autora Stephanie Suarez domina essa técnica desde os anos de graduação, e ela a usou no passado para provar que um espécime de milípede diferente (Pneumodesmus newmani) não era o inseto mais antigo em terra, mas na verdade era 14 milhões de anos mais novo que nós pensamos.

Após anos de trabalho cuidadoso, ela agora consegue coroar um novo vencedor. Quem sabe se conseguiremos destroná-lo um dia também.

O estudo foi publicado na Historical Biology.

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