Quem nunca se pegou falando mentalmente os produtos que precisam ser comprados quando está a caminho de supermercado, por exemplo? E, mesmo tendo repetido cada item da lista incontáveis vezes, na hora de guardar as compras em casa, viu que faltou alguma coisa. É bem comum: nossa memória não é muito confiável. Mas e se a inteligência artificial pudesse ajudar? Com isso em mente, um jovem da tecnologia está desenvolvendo um projeto digamos que promissor.

O aparelho ganhou o nome de uma famosa expressão latina, AlterEgo — que pode ser compreendida como “o outro eu”. É este dispositivo wearable que fica preso atrás da orelha e passa por baixo do maxilar e da boca. Basicamente, ele consegue entender a voz que fala com você dentro da sua cabeça, sem ter de vocalizar uma única palavra. Incrível, não é?

Quando pensamos em falar, o cérebro envia sinais neuromusculares até as cordas vocais. Esses estímulos imperceptíveis passam pela musculatura da garganta e também da língua. E aqui entra em ação o AlterEgo: seus sensores captam esses impulsos e os submetem ao crivo de uma inteligência artificial. É o robô quem decodifica os sinais e os transforma em palavras.

Dá até para conversar silenciosamente com a Inteligência Artificial, já que ela é capaz de formular respostas e propagar os sons por dentro do seu crânio através de um sistema de som embutido. Ninguém em volta ouve nada — só você e o seu AlterEgo. Voltando ao exemplo da lista do supermercado, o dispositivo poderá gravar os itens enquanto eram repassados mentalmente e, uma vez no supermercado, ele leria tudo para você não esquecer de nenhum produto.

Em tese, o sistema permitirá enviar mensagens de texto com o pensamento, falar por “telepatia” com assistentes virtuais. Além do mais, seria especialmente valioso a quem tem capacidades motoras e cognitivas reduzidas.

Pacientes como o falecido Stephen Hawking, que vivia com esclerose lateral amiotrófica, poderiam se expressar muito mais depressa do que com técnica do rastreamento de olhar — o cérebro deles continua emitindo estímulos neuromusculares. E sim, o gadget também tem um alto falante que permite vocalizar a voz interior através de fala computadorizada. De tão promissora, a tecnologia foi premiada pelo MIT, nos Estados Unidos.

Seu criador, Arnav Kapur, pesquisador de interfaces fluidas do MIT Media Lab, ganhou do instituto um prêmio de US$ 15 mil. Kapur, que cresceu em Nova Delhi, na Índia, já esteve envolvido em uma série de projetos impressionantes antes do AlterEgo. Ele ajudou a construir por exemplo um rover lunar, um drone fabricável por impressoras 3D e uma técnica de áudio para narrar o mundo a quem tem problemas de visão. E tem só 24 anos.

Por agora, a equipe está otimizando o hardware e refinando a Inteligência Artificial. Mas a ideia é lançar o produto no mercado — Kapur já solicitou o registro da patente. Testes conduzidos em hospitais e centros de reabilitação em Boston apontam uma eficácia de 92%. Isto é, de cada dez palavras, o sistema já entenderia nove.

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