A professora Brenda Chaves Coelho Leite, da Escola Politécnica (Poli) da USP, após mais de uma década de pesquisa, criou um equipamento para acabar com a briga em torno da temperatura do ar-condicionado – o que ocorre muito nos locais de trabalho e nas universidades.

Sempre tem um que grita: “diminui o ar”. Depois outro vai lá e aumenta o ar-condicionado. E fica uma briga constante entre a turma do frio e a turma do calor.

Então, para a professora a única saída foi criar um aparelho que permitisse a cada um dos usuários do equipamento ajustar o ar-condicionado às suas preferências.

Chamado de DCTI (Dispositivo Terminal de Sistema de Climatização para Conforto Térmico Individualizado), ele funciona como uma saída de ar com um bocal que pode ficar em cima da mesa do estudante ou trabalhador, encaixado por baixo dela a um tubo que conduz o ar vindo de um sistema de ar-condicionado central.

O funcionamento do aparelho é totalmente mecânico: o ar sobe pelo tubo conectado ao sistema de ar-condicionado e passa por um diafragma na parte inferior do bocal do DCTI, saindo na parte superior, acima da mesa, através de palhetas que lembram as pás de um ventilador, com uma leve torção. Para regular a abertura do diafragma e das palhetas há dois botões deslizantes, e a saída de ar pode ser direcionada manualmente para os lados, para cima ou para baixo.

“O diafragma permite o preenchimento total do espaço do bocal pelo ar, que passa por ele, dependendo da abertura regulada, em formato de cilindro ou de tronco de cone. Ele percorre a distância calculada da entrada à saída, e então encontra essas palhetas torcidas, que também têm uma abertura, mas pequena. Esse formato garante a quebra da velocidade do ar e o seu espalhamento, o que chamamos de fluxo de alta indução, com baixa velocidade e grande alcance”, explica a professora.

O equipamento segue o princípio das saídas de ar-condicionado de um carro. Se você os regula, é possível mudar a temperatura de um microclima sem efetivamente mexer na temperatura do ar-condicionado central.

“A função do DCTI é apenas criar o microclima de acordo com as preferências de cada um, acabando com o problema de desconforto e as reclamações das pessoas”, diz.

E ainda tem mais, o equipamento proporciona economia de energia, um dos principais problemas do ar-condicionado, segundo a professora, é, por exemplo: se quer gerar uma temperatura de 23 graus, que agrada a maioria das pessoas, um sistema normal de ar-condicionado precisa resfriar o ar a 13 graus. Com o DCTI, é possível chegar à mesma temperatura a partir de um resfriamento a apenas 21 graus. “É um ganho de quase 10 graus e uma economia brutal de energia”, ressalta.

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