É com muita satisfação que inicio agora minha participação como colunista do Engenharia É. Vou iniciar essa participação com uma série de artigos sobre disrupção. Vou explorar aspectos técnicos e humanos relacionados a transição para novos modelos, tanto no que tange ao cenário tecnológico (inovação), quanto ao ambiente humano (social). Busco nessa série de artigos integrar visões de tecnologia (ferramentas) e filosóficas (reflexões) sobre os pilares/motores para a construção de modelos disruptivos. Ou seja, como podemos mudar o mundo.

Modelos disruptivos são aqueles que quebram paradigmas. Aqueles que rompem com o estabelecido. Somente os novos modelos podem gerar inovação suficiente no atual cenário de evolução tecnológica acelerada, conforme observamos na chamada Lei dos Retornos Acelerados de Raymond Kurzweil. Essa lei diz que as tecnologias humanas (qualquer ferramenta humana) de um estágio da evolução são sempre construídas com o melhor dos estágios anteriores. Portanto, são sempre mais eficazes, capazes de gerar os mesmos resultados em menor tempo e custo. Ou seja, o intervalo de tempo entre retornos significativos em uma dada tecnologia reduz a medida que mais esforço é canalizado para as melhores técnicas. Você não vê linguagens de programação de computadores piores que as anteriores que façam sucesso. Você não vê tecnologias de comunicações móveis menos capazes que as anteriores. Em assim por diante.

O resultado dessa redução do intervalo de tempo entre eventos significativos leva a avanços exponenciais na capacidade (poder) das tecnologias humanas. Ou seja, novas tecnologias são sempre mais capazes que as anteriores em um menor intervalo de tempo. A capacidade fornecida para o mesmo custo aumenta exponencialmente. Tem sido assim com a computação, tanto em termos de processamento, memória, disco, visualização e tudo mais. Também se observa avanços exponenciais nas tecnologias de comunicação móvel. A cada geração (2G, 3G, 4G e agora o 5G) avanços significations são obtidos em termos de taxa de transmissão, número de dispositivos e conexões simultâneas. Isso também ocorre na Internet com relação ao número de computadores conectados, redes, etc…

Meu objetivo nessa primeira série de artigos é filosofar sobre como a disrupção nos modelos estabelecidos ocorre tanto no domínio tecnológico, quando social/humano. Como os avanços exponenciais estão gerando abundância de recursos para reinventarmos praticamente tudo. Quais são as disrupções a caminho e como elas irão afetar as pessoas, a sociedade e nosso futuro.

Acredito que nesse cenário, a busca pela disrupção de modelos estabelecidos passará a ser mais intensa, constante, recursiva inclusive. Quando encontramos uma possibilidade de disrupção em um modelo estabelecido, já passamos a “hackeá-lo” imediatamente, tentando roper até mesmo com os novos modelos que estamos enxergando. Um exemplo disso é o Uber. Ele rompe com o modelo estabelecido pelos táxis. No estágio atual, utiliza motoristas que são remunerados por compartilhar seus carros e prestar o serviço de dirigir. Um hacking desse modelo é a substituição dos motoristas humanos por carros autônomos. Outro hacking desse hacking (ou seja, uma disrupção do novo modelo com carros autônomos) é o uso de cripto ativos (como por exemplo, Ethereum) para monetizar todos os pagamentos recebidos e ou realizados pelo carro autônomo. É o que eu e meu amigo Estevan Lopes chamamos de Disrupção Fractal (ou Auto-Similar). Os hackers de tendência busca a disrupção dentro da disrupção o tempo todo. Futuristas também usam dessa estratégia. Raymond Kurzweil é um futurista. Procure sobre ele no Google. Alias, ele trabalha no Google hoje como chefe de engenharia.

No contexto acima, hackear significa abstrair o mais importante de como um modelo funciona. Significa capturar mentalmente o que de fato importa, determinando os aspectos mais relevantes de um modelo. Suas limitações, premissas, crenças, etc. Um hacker é alguém capaz de capturar a essência de um modelo corrente e refletir sobre disrupções nesse modelo. É alguém que enxerga como o modelo pode ser revolucionado recursivamente, através de disrupções fractais. Vou voltar nesse tema mais adiante, dando mais exemplos.

No próximo artigo, vou iniciar as discussões sobre os pilares (fatores) que estão facilitando a disrupção e a transição para novos modelos. Inspirado nos textos fantásticos do Max Nolan Shen, que também conheci no mesmo TEDxInatel, chamei esses pilares de: Pilares da Transição para Novos Modelos. São aqueles que estão chacoalhando o estabelecido. Quais seriam eles? Não perca.

Achou útil essa informação? Compartilhe com seus amigos! xD

Deixe-nos a sua opinião aqui nos comentários.

Compartilhe:
Publicação anteriorCientistas descobrem maneira mais eficiente e ecológica de reciclar garrafas de plástico
Próxima publicaçãoIdeias esparsas que podem ajudar…
É engenheiro, professor, coordenador do Information and Communications Technologies (ICT) Laboratory do Inatel e programador C/C++. É doutor em Eletrônica e Telecomunicações pela Unicamp e pós-doutor pelo Electronics and Telecommunications Research Institute (ETRI) da Coréia do Sul. Autor de mais de 100 artigos científicos. Já ministrou mais de 60 palestras sobre tecnologia e suas disrupções, incluindo Hack Town, Futurecom, QCon, TEDxInatel, Pint of Science, Ciência no Boteco, etc. Colunista do Olhar Digital. Pai da arquitetura NovaGenesis. Contribuiu para documento de requisitos para Internet do Futuro na Coréia do Sul e nas discussões iniciais do Plano Nacional de M2M/IoT. Hacker de tendências, consultor e estudante perpétuo. Você pode falar comigo pelo email: [email protected] ;)