A inteligência artificial não nos destruirá, mas pode nos tornar diferentes uns dos outros, diz Teemu Roos, professor associado de ciência da computação.

1. Inteligência artificial ainda não é inteligente

O ritmo do desenvolvimento da IA ​​foi exagerado. As aplicações da inteligência artificial ainda não são inteligentes, afirma Teemu Roos. Ele lidera um grupo de pesquisa da Universidade de Helsinki sobre aprendizado de máquina, que se concentra em grandes dados e aplicações da IA ​​em física quântica e medicina.

Quando um computador ganha de um humano no jogo de xadrez, isso não significa que a inteligência artificial tenha ultrapassado a inteligência humana. Significa apenas que o programa foi otimizado para o xadrez. Um programa pode prever os movimentos dos mercados, outro pode reconhecer rostos e outro ainda pode encontrar documentos relevantes a partir de enormes quantidades de dados.

– Isso quer dizer que os métodos atuais só podem lidar com tarefas bastante restritas. Por exemplo, o muito anunciado Watson da IBM é uma coleção de métodos individuais, todos fazendo suas próprias coisas, não uma única inteligência artificial multipotente, diz Roos.

No entanto, diferentes métodos podem ser combinados em um único aplicativo, como carros autônomos. Roos acredita que eles se tornarão um modo de transporte rotineiro dentro de uma década.

– O risco de acidentes existe, mas provavelmente será menor do que com os motoristas humanos, diz Roos.

2. Inteligência artificial não tem cultura

De acordo com Roos, a inteligência artificial não é uma entidade que se torna cada vez mais inteligente, ganha autoconsciência por conta própria e depois toma o controle do mundo. Mesmo que a capacidade dos computadores esteja crescendo exponencialmente, suas habilidades de resolução de problemas não são.

Para que uma inteligência artificial se desenvolva de forma independente, a máquina deve ser capaz de resolver problemas cada vez mais complexos. As pessoas tiveram que se adaptar ao fato de que progredir na ciência está se tornando cada vez mais difícil, porque os problemas se tornam mais complicados à medida que a quantidade de informação aumenta. De acordo com Roos, no entanto, nos acostumamos a isso, e também usamos nossa compreensão cultural para resolver problemas.

É improvável que a inteligência artificial ultrapasse a inteligência coletiva das pessoas, diz Roos.

Outra visão distópica frequentemente citada é o experimento mental conhecido como fábrica de clipes de papel. Ele propõe uma fábrica controlada pela IA, instruída a criar o máximo possível de clipes de papel quanto possível. Em algum momento, a IA examinará as estatísticas e descobrirá que quanto menos seres humanos estiverem competindo com ela por matérias-primas, mais clipes ela poderá produzir. Em seguida, ele começa a matar pessoas para otimizar a produção.

Segundo Roos, esse é um cenário irrealista.

– Para que a IA escape do controle humano, ela também deve ser capaz de entender os humanos o suficiente para perceber que os clipes de papel não são nosso único objetivo na vida.

3. A inteligência artificial pode discriminar

Roos acredita que, neste momento, o viés algorítmico é uma questão premente. Por exemplo, podemos ensinar um algoritmo para selecionar funcionários em potencial a partir de milhares de currículos. O algoritmo inspecionará dados de recrutamento anteriores e descobrirá que pessoas de certas nacionalidades são menos propensas a serem escolhidas. Ele então começará a exibi-los. Isso significa que, se os dados brutos forem discriminatórios, o sistema também aprenderá a discriminar.

– Mesmo se removermos o nome, o gênero e a nacionalidade do candidato do currículo, o algoritmo ainda pode aprender a discriminar. Pode tirar conclusões sobre o gênero e a etnia do candidato com base em vocabulário específico ou outras pequenas dicas, diz Roos.

No entanto, Roos acredita que será mais fácil erradicar a discriminação dos dados do que do comportamento humano, já que os dados não podem mentir para parecerem melhores.

O pesquisador acha lamentável que os participantes mais expressivos na discussão da inteligência artificial sejam os extremos: os otimistas imprudentes e os profetas do juízo final.

– Não precisamos de chavões ou distopias, precisamos de um entendimento cuidadoso das possibilidades oferecidas pela IA, e esse também é nosso objetivo no curso oferecido gratuitamente pela universidade. Confira neste link.

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