Muitas vezes, neste espaço do “Engenharia em Pauta”, tenho colocado minhas opiniões e reflexões sobre educação em geral e mesmo tecnológica. É natural, pois com minhas incursões profissionais em docência e administração escolar, além de atividades práticas em engenharia, me é possível refletir mais sobre os assuntos educacionais voltados a estas áreas. E como avô, também tenho naturalmente que me preocupar com o futuro de meus netos, que é baseado na educação que estão tendo, tanto na família quanto no sistema escolar formal.

E aí somos impactados com os paradigmas que nos estão sendo impostos pela “Era da Cognição”, que tenho constantemente denominado de “Novos Tempos”, e que já está por aí adentrando nossas portas, mudando tudo e alterando o futuro, para algo que não podemos prever. A atual pandemia ainda traz novas nuances e desafios a este quadro geral… Então, nesse assunto, a única coisa que vale é o que tenho escutado frequentemente: “a mudança é a única constante”…

Nem precisamos ir muito longe para exemplificar este fato: quando eu tinha quinze anos de idade (faz tempo…), qual seria minha provável trajetória de vida profissional? Passar pelos ciclos escolares usuais, obtendo grande dose de informações sem saber quais utilizaria no futuro, estudar para ser engenheiro, médico, dentista, advogado, ou funcionário público. Empreender, nem sabia que podia haver esta saída…

Mas tenho, por exemplo, dois netos, um com oito anos de idade, e outro com dez. Daqui a alguns anos, eles estarão, em princípio, ingressando no mundo do trabalho. Você se arriscaria a dizer como o mundo estará, vamos supor, em 2030? Ou ainda mais, em 2050? Que possibilidades de carreira existirão para eles, e os outros jovens de idade igual ou próxima? Haverá oportunidades de trabalho para a toda uma vida, como acontecia em meu tempo? Eu, particularmente, tenho certeza apenas de uma coisa: tudo será diferente, e eles necessitarão de qualificações especiais, que temos dificuldades até em prever. Concorda?

O que também tenho certeza é de que o sistema escolar atual não está atendendo a esta realidade, por mais boa vontade que seus membros, em sua maioria, possam ter… É claro que existem honrosas exceções, que deveriam ser observadas bem de perto.

O problema é que este sistema atual é fruto da “Revolução Industrial”, na qual o treinamento era importante e havia grande necessidade de transmitir informações, difíceis de obter à época. Veja uma escola atual: usualmente, é uma espécie de “fábrica”, dividida em seções, com um supervisor que sabe tudo, dirigindo-se a uma plateia passiva (“funcionários”?), com horários definido (“ponto”), avaliações de desempenho, e algumas até com sirenes, para iniciar e terminar os “turnos”…

Resultados disso tudo, e mais o descaso governamental, podem ser facilmente encontrados se acessarmos a internet. Exemplos: (“novaescola.org.br/”, acessado em 24 de fevereiro de 2109) – “na população de 15 anos ou mais, pelos resultados de 2018, divulgados no início de 2019, 3 em cada 10 brasileiros são considerados analfabetos funcionais e apenas 12% da população está no nível ‘proficiente’, o mais alto da escala. E tem mais: o número de analfabetos subiu de 4%, em 2015, para 8%, em 2018, diferença que, do ponto de vista estatístico, aponta mais para uma estagnação do que para um crescimento” E pelo “g1.globo.com/educacao/”, acessado na mesma data, “Brasil cai em ranking mundial em matemática e ciências; e fica estagnado em leitura. País teve novamente um dos 10 piores desempenhos do mundo em matemática no Pisa 2018, a avaliação mundial de educação”.

É preciso exemplificar mais? Que enorme problema para o nosso futuro como nação, e dos nossos jovens!

O que fazer, então? Boa pergunta!

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