Já tivemos oportunidade de conversar sobre a conveniência da utilização de metodologias mais “ativas” no ensino… De fato, a aprendizagem se dá mais eficazmente se utilizarmos o conteúdo a ministrar para resolver problemas da vida real, que é o que se propõe com o PBL (Problem Based Learning), sobre o qual conversamos neste mesmo espaço, na semana passada. Aliás, fica evidente que essa metodologia, muito eficaz para o ensino de engenharia, também pode ser utilizada com mérito em outras áreas do conhecimento e níveis de ensino… Afinal, como você aprendeu a andar de bicicleta, ou a dirigir? Fazendo, não foi?

Criar novas oportunidades de utilização de metodologias ativas depende da vontade e criatividade do docente ou educador, e, às vezes, da oportunidade… Um modesto exemplo: meu neto caçula estava com dificuldades de aprender a tabuada de multiplicação por seis; mas estava brincando de ser o prefeito da cidade, carimbando papéis que eu lhe passava com “requisições”… Então comecei a mandar para ele “requerimentos” com pequenos problemas que envolviam o uso de tal tabuada, que ele foi resolvendo e carimbando… Resultado: perdeu o medo de tal tabuada, confessou-me que aprendeu um pouco mais, e ainda aprendeu algo da vida real, confessando-me que não sabia que o prefeito tinha tanto trabalho… É isso aí: misturar a vida real com o ensino, de modo criativo e objetivo… É isso, e só depende de nós, professores e educadores. Afinal, não foi assim que aprendemos tantas coisas para a vida?

Nós, professores, sabemos que um dos melhores modos de aprender algo é ensinando… Não é verdade? Então, por que não dar essa oportunidade a nossos alunos? Por que não separar alguns blocos de conteúdo e dar aos alunos, em grupos, a missão de explicá-los aos seus colegas? é claro que o docente deve fornecer o material básico referente ao bloco de conteúdo e dar um prazo condizente para a montagem da “aula”, dada sob sua supervisão; também pode ser organizado um debate posterior, após o tempo dado aos alunos para a “aula”, sobre pontos que não ficarem bem esclarecidos. Posso dar meu testemunho de que tal metodologia funciona, e bem; eu a utilizei em curso de graduação em engenharia, com sucesso reconhecido pelos alunos…

Desafios e certames também são eficazes. Eu tive a oportunidade de, em uma Atividade Curricular Complementar que coordenava, no curso de engenharia de uma renomada instituição de ensino, de propor aos alunos de um determinado período inicial do curso, um desafio semestral de resolver problemas de engenharia fora do comum, com necessidades especiais, mas com soluções que demandariam um bom nível de criatividade, fundamental para suas carreiras. No final do semestre, havia a apresentação de protótipos das soluções, e eu sempre me surpreendia com a criatividade e originalidade das soluções. Durante o semestre, sempre que notava um “gargalo” na evolução da solução, eu me reunia com a turma para discutirmos mais algum tipo de ferramenta a utilizar, mas nunca sugerindo soluções. Estas, tinham que nascer de cada grupo da turma… Tivemos resultados muito interessantes, conforme depoimento de alunos até após sua formatura…

Sim, não é muito complicado desenvolvermos algum tipo de metodologia ativa, mais simples ou mais elaborado… Basta querermos, aproveitarmos oportunidades que sempre aparecerão, sugeridas pelo próprio conteúdo ou mesmo pelos alunos, e colocar em uso nossa criatividade. Experimente, você vai gostar…

Vamos conhecer mais alguns exemplos e sugestões na semana que vem? Até lá, então…

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