Se quisermos, muito pode ser feito em termos de desenvolvimento de metodologias ativas para utilização em nossas aulas… É só nos lembrarmos de que o aprendizado sempre se dará melhor quando partirmos de problemas ou situações reais a serem resolvidas. Não é assim que acontece em nosso dia a dia, quando queremos ou precisamos aprender como fazer algo? Aí a motivação cresce, o interesse aumenta, e a aprendizagem se dá mais facilmente…

Alguns colegas argumentariam que é muito problemático trabalhar com metodologias ativas. Definitivamente, não é… Basta não as complicarmos; afinal, nós é que vamos prepará-las, não? Por exemplo, basta iniciar o conteúdo com uma discussão aberta sobre o tema e suas particularidades, tendo em vista as realidades relativas ao conteúdo que está sendo tratado. Em seguida, vale a pena uma sucinta exposição teórica, de consolidação, baseada no conteúdo desejado e no que apareceu na discussão. Aí deve ser proposto um exercício real, e pronto! Com esta receita básica, poderemos ver como a motivação aumentou, o interesse cresceu, e a aprendizagem realizou-se de modo bem melhor. É muito mais conveniente do que uma aula expositiva formal, na qual o aluno escuta, não entende para que serve o que está sendo ministrado, anota (às vezes…) e fica por isto mesmo… 

Já existem instituições de ensino no Brasil (inclusive de engenharia), que, sabendo que duas das maiores dificuldades para a aprendizagem são a aula expositiva e a divisão do conhecimento em disciplinas (“gavetas de conhecimento”…), já se lançaram à busca de novas metodologias, semelhantes às utilizadas por grandes universidades do mundo, como Stanford, Harvard, MIT, e outras. Nossas instituições o conhecimento é ministrado por algo que poderíamos chamar de “Unidades de Conhecimento”, nas quais o conteúdo proposto é dividido em segmentos que o aluno vai percorrendo, descobrindo novas formas de fazer as coisas, e, utilizando as ferramentas necessárias, vai apreendendo de modo satisfatório e definitivo o conteúdo desejado.

Algo bem interessante já é realizado em várias instituições de ensino pelo Brasil, principalmente em cursos de gerência e administração, mas também já praticado em cursos de engenharia, nos conteúdos relativos às áreas de empreendedorismo, administração e gerência. É a criação de empresas reais, por grupos de alunos, que durante um semestre devem desenvolver algo inovador e oferecê-lo ao mercado, com vistas a obter um lucro real. Ou seja, é “colocar a mão na massa” mesmo… Eu mesmo já tive a oportunidade de, em uma Atividade Curricular Complementar que gerenciava, em uma renomada instituição de ensino da qual era docente, de utilizar este método, e de modo completo: cada grupo tinha que criar um produto inovador para comercializá-lo, organizar uma empresa, desenvolver um “Contrato Social”, registrá-lo em um “cartório” fictício (a seção que eu coordenava, à época…) retirar um “Alvará” na prefeitura do campus, e trabalhar… O resultado foi muito bom, tendo obtido depoimentos de alunos que afirmaram que nem faziam ideia do que era um contrato, das dificuldades de interlocução com fornecedores e clientes, e assim por diante… Também se viram às voltas com balanços e contabilidade em geral, cujas dificuldades foram sendo resolvidas na medida em que apareciam… 

Enfim, basta querermos que as metodologias ativas irão surgindo, e os  resultados irão aparecendo também… E, seguramente, eles serão muito bons!

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