A madeira é um material natural, renovável e biodegradável amplamente utilizado na construção há milênios. No entanto, seu alto teor de umidade dificulta seu uso como estrutura de suporte de carga sem um adequado processo de secagem.
Embora a madeira nunca fique completamente “seca”, ela atinge um estado de equilíbrio com o ambiente, o que significa que alcança estabilidade, embora ainda esteja sujeita a variações dimensionais, a menos que seja protegida com um material impermeável.

O desafio enfrentado por engenheiros, marceneiros e carpinteiros é determinar quando a madeira atinge esse estado de equilíbrio. Atualmente, prevalecem regras empíricas, como a “regra do dedão”, que estima um ano de secagem para cada polegada (2,54 cm) de espessura da madeira.
Winston Mmari, da Universidade Lineus, na Suécia, busca ir além das regras empíricas. Ele pretende desenvolver um modelo preciso que possa prever o comportamento macroscópico da madeira sob carga mecânica, considerando também variações de umidade e temperatura.
O objetivo principal de sua dissertação é criar um modelo capaz de calcular com precisão o nível de prontidão da madeira para ser utilizada em uma construção, levando em consideração exigências específicas de carga e tolerância dimensional.

O pesquisador iniciou seu estudo investigando os processos físico-químicos que regem o movimento da umidade na madeira. Em seguida, ele incorporou a variação desse comportamento em resposta às mudanças nos níveis de umidade do ambiente, permitindo modelar as distorções que a madeira sofre durante esse processo, como empenamentos e torções.
Por fim, Mmari concentrou-se nos processos físicos que explicam o surgimento de rachaduras na madeira, considerando até mesmo a posição de cada tábua ao ser retirada de um tronco. Essas análises revelaram que o transporte de umidade na madeira é mais complexo do que se imaginava, envolvendo processos de sorção histerética relacionados a mudanças de fase cinética entre a umidade nas fibras da madeira e o vapor nos poros.
O resultado final do estudo é um modelo matemático muito mais complexo do que as regras empíricas. No entanto, ele só pode ser utilizado em programas de computador. A vantagem é que esse modelo oferece um nível de previsibilidade sobre rachaduras, empenamentos ou torções específicas em tábuas ou vigas, algo considerado impossível anteriormente.
O modelo desenvolvido pode ser usado como uma ferramenta para análise e previsão do comportamento de elementos e estruturas de madeira. Além disso, ele pode auxiliar na investigação e possível otimização dos processos de secagem da madeira. Os resultados do estudo também direcionam os pesquisadores para futuras investigações experimentais e teóricas, visando aprimorar o conhecimento e a compreensão desse material ecológico, concluiu Mmari.
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