Embora a ideia de inteligência artificial (IA) já exista há décadas, o tema voltou a ganhar destaque recentemente. No entanto, nem todos compartilham desse entusiasmo. Em uma entrevista recente ao canal TFiR no YouTube, Linus Torvalds, criador do Linux, comentou que, em sua visão, 90% do que se fala atualmente sobre IA é puro marketing.
A abordagem do assunto com Torvalds não foi casual. A Microsoft tem impulsionado recursos de IA no Windows 11, enquanto a Apple investe em tecnologias de inteligência integrada em seus dispositivos, o que levanta questionamentos sobre o papel do Linux nessa tendência.
Contudo, Torvalds explicou que o kernel Linux, sendo apenas o núcleo do sistema operacional, não toma posição direta sobre IA. A adoção e o desenvolvimento de recursos de inteligência artificial cabem aos desenvolvedores de aplicativos e às diferentes distribuições Linux.
Ainda assim, Torvalds deu sua opinião sobre o panorama geral da IA. Ele não é contra a tecnologia e acredita em seu potencial transformador, mas alerta que o atual entusiasmo da indústria gera um exagero em torno do tema, promovendo expectativas infladas que não condizem com a realidade atual.
Eu acho a inteligência artificial fascinante e acredito que ela tem um potencial transformador para o mundo. Mas, ao mesmo tempo, detesto tanto o exagero que existe em torno do assunto que prefiro manter distância dessa tendência. Minha abordagem atual é, basicamente, ignorar a IA, porque vejo a indústria de tecnologia em torno dela numa fase complicada. Hoje, é 90% marketing e apenas 10% realidade. Acredito que, em cinco anos, o cenário vai mudar. Nesse ponto, veremos a IA sendo realmente aplicada em tarefas cotidianas, com uso prático em cargas de trabalho reais, em vez de apenas demonstrações como o ChatGPT, que, embora tenha um papel importante e seja usado em áreas como design gráfico, é um exemplo desse ciclo de exageros que tanto me incomoda.
Linus Torvalds
A declaração de Linus Torvalds sobre o hype em torno da inteligência artificial começa a partir do minuto 38 no vídeo.
A IA ainda não empolga o público
Com poucas exceções, como ferramentas de IA generativa — a exemplo do ChatGPT e do Google Gemini —, o movimento em torno da inteligência artificial parece gerar pouca empolgação entre os usuários.
Um exemplo claro vem do mercado de PCs. Um relatório da IDC, divulgado em setembro, indica que, embora os consumidores estejam comprando máquinas com Windows 11, a decisão não se deve aos recursos de IA integrados ao sistema. Faz sentido: apesar de interessantes, esses recursos ainda não são impactantes o suficiente para alterar significativamente o dia a dia da maioria das pessoas.
De modo geral, a percepção é de que a IA que a indústria está promovendo ainda não provou seu verdadeiro valor.
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