Imagine um Brasil onde mais de 50 milhões de pessoas ainda não conseguem navegar pelo vasto mundo da Internet com facilidade. Esse foi o retrato apresentado pelo Centro de Estudos de Telecomunicações da América Latina (Cet.la) durante o Mobile World Congress (MWC) 2025, em Barcelona. Segundo o estudo, muitos brasileiros estão fora da onda digital por não terem as habilidades necessárias para explorar as tecnologias da informação, o que os deixa distantes das oportunidades que a economia conectada oferece, seja no crescimento pessoal ou na vida profissional.
Isso significa que, mesmo tendo acesso à rede, essas pessoas não sabem como aproveitar as ferramentas digitais para estudar, trabalhar ou até resolver coisas do dia a dia. Enquanto isso, 8% ainda esbarram na “lacuna de cobertura”, ou seja, vivem em áreas onde o sinal simplesmente não chega.
Essa falta de familiaridade com o digital tem um impacto grande. Sem formação adequada, muita gente fica impedida de usar a tecnologia para coisas simples, como agendar uma consulta médica online, ou mais complexas, como buscar empregos melhores. É como ter uma chave nas mãos, mas não saber abrir a porta.
No evento, especialistas também jogaram luz sobre outro desafio: as regras do jogo no mundo digital estão desbalanceadas. As operadoras de TV paga e telecomunicações, por exemplo, carregam um peso regulatório e fiscal que as grandes plataformas de streaming não enfrentam. Isso cria uma competição desigual, ainda mais complicada pela pirataria, que rouba espaço do mercado legal sem oferecer benefícios reais aos consumidores. Resultado? Todo o ecossistema de comunicação e entretenimento sai perdendo.
Para virar esse jogo, o Cet.la estima que serão necessários investimentos bilionários até 2030 para zerar as lacunas digitais, turbinar as redes e atender à crescente demanda por tráfego. Esses recursos seriam distribuídos entre países como Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, México e Peru. Mas não é só questão de dinheiro: políticas públicas precisam entrar em cena, ajustando as leis às necessidades de hoje e incentivando uma parceria mais justa entre todos os envolvidos.
Pedro Bentancourt, da Vrio Corp, destacou como as regras atuais sufocam a sustentabilidade do setor de tecnologia na América Latina. “As plataformas de streaming disputam o mesmo público que a TV paga, mas sem as mesmas obrigações. E a pirataria só piora o cenário, afastando as pessoas de conteúdos de qualidade”, explicou ele.
Já Maryleana Méndez, da ASIET, reforçou a urgência de uma revisão nos regulamentos. “Precisamos de um ambiente que permita às empresas investir em redes modernas, mas também que cobre responsabilidade de todos os jogadores do ecossistema digital”, disse ela. Uma ideia levantada foi criar acordos entre operadoras e plataformas, como contratos de uso corporativo de conectividade, com um regulador para mediar eventuais conflitos.
O caminho para um Brasil mais conectado passa por educação digital, investimentos inteligentes e regras equilibradas. Só assim esse mar de possibilidades online vai deixar de ser um mistério para milhões de pessoas.
Especificações técnicas (em tabela)
Aspecto | Detalhes |
---|---|
População conectada (4G) | 69% da população brasileira |
Lacuna de uso | 24% têm acesso, mas não sabem usar ferramentas digitais |
Lacuna de cobertura | 8% sem acesso a serviços de internet |
Investimento necessário | US$ 49 bilhões (2025-2030) para Brasil e outros países da América Latina |
Países analisados | Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, México, Peru |
Com informações de Teletime.
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