Em meus anos de docência, tanto em nível médio quanto superior (e olhem que não foram poucos…) sempre tive uma grande alegria, dentre várias outras que esta carreira proporciona: a de sentir a vontade de aprender por parte dos alunos, seu brilho nos olhos com algo novo, o interesse por vislumbrar novos caminhos, etc. Enfim, a sensação de realmente estar ajudando-os a trilhar novos e progressistas caminhos…

Com o tempo, e mais recentemente, percebi que por mais esforço que nós professores façamos, tudo isto está terminando. Que pena: apatia, desinteresse, divagações, falta de visão de mundo e de qualquer nível de embasamento geral, tudo isto pode criar um martírio para os dois lados do processo, docentes e discentes.

Não adianta culpar as redes sociais, as fontes abundantes de informação, os celulares, as famílias, cada vez com perfil diferente (para melhor?), etc. Eu mesmo me culpo um pouco, ou muito, como professor, por estar ainda tentando sair do pântano dos paradigmas de ensino tradicionais e antigos: será que sei fazer isto? Será que não estou fazendo o esforço necessário? Será que não tenho que conhecer mais meus alunos? E creio que esta sensação deve permear em muito os pensamentos de meus colegas realmente vocacionados…

É, mas não adianta “chorar sobre o leite derramado” – é perda de tempo… Mais produtivo é trabalhar, discutir com colegas, assumir esta verdade, e ir atrás de soluções, errar/aprender/corrigir, etc. E já tenho visto isto acontecer, em forma de reformulações curriculares e metodológicas, estudos, teses e dissertações de mestrado bem profundas e interessantes, etc. Muito bom!

De minha parte, tenho pensado muito neste assunto, e gostaria de compartilhar com você, prezado leitor, prezada leitora, algumas considerações a respeito. Por exemplo, gostaria de começar por algo que me parece basilar: sabemos que o ensino convencional é muito focado no conteúdo, muitas vezes até desnecessário. Grandes programas a cumprir, muitas disciplinas (às vezes no mesmo semestre letivo), muita pressão para cumprir prazos, etc. E isto em um mundo, o atual, no qual qualquer informação, qualquer conhecimento, está à disposição, na ponta dos dedos! E o professor tem que ser enciclopédico, saber tudo, e assim assumido, tem que governar tudo! Um exemplo: em uma dinâmica que eu estava conduzindo recentemente, em uma turma de adolescentes, eles teriam que construir uma pipa, um papagaio, base de uma empresa que deveria comercializá-lo. Bem, um grupo de alunas nem sabia como fazer (claro, nunca confeccionaram ou empinaram pipas…): então recorreram à internet, e havia até um vídeo no youtube de como confeccionar uma boa rabiola para a pipa…

Então por que o professor, em vez de ensinar “conteúdos”, não conduz à fonte de informação e deixa acontecer a aprendizagem? Aí, os alunos não só aprendem, como aprendem a aprender, que, aqui entre nós, é algo extremante importante para a vida e carreira deles nos tempos que estão chegando.

Um grande professor com o qual tive o prazer de ser iniciado em empreendedorismo sempre falava comigo: “Mario, o bom professor não precisa dar as respostas, mas sim formular bem as perguntas, e ter uma boa rede de relações (acréscimo meu: pessoais ou virtuais…) para encaminhar os alunos à busca das respostas certas…”.

Creio que esta opinião deste professor resume tudo o que quis transmitir nesse “Engenharia em Pauta”. Até a próxima!

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É graduado em Engenharia Elétrica (Instituto Nacional de Telecomunicações – INATEL), e pós-graduado em Docência do Ensino Superior em Educação. Foi professor, desde 1964, em diversos cursos técnicos, de engenharia, e de extensão, em diversas áreas técnicas, bem como em empreendedorismo e inovação. Também criou e coordenou diversas atividades ligadas ao desenvolvimento do empreendedorismo, no Inatel. Atualmente participa de programas de extensão e pesquisa ligados ao empreendedorismo, criatividade e inovação.