Que tema importante, nestes tempos que correm, nos quais os sistemas de ensino estão sendo cada vez mais questionados em sua eficácia! Assim, no “Engenharia em Pauta” da semana passada, começamos a conversar sobre este assunto, discutindo sobre o “conteudismo” adotado na grande maioria dos currículos escolares, em um mundo no qual a informação está totalmente disponível na ponta de nossos dedos…

Agora gostaria de continuar com estas considerações, entrando um pouco no campo meio “minado” dos atuais métodos de ensino. Assunto complexo, ainda bem que cada vez mais estudado. Para simplificar, gostaria de considerar como o empreendedor de sucesso aprende, pois a vida, para a qual estamos formando as crianças e os jovens, é uma sequencia de “empreendimentos”… Segundo Dolabela (1), alguns dos modos de aprendizagem do empreendedor são; “1 – solucionando problemas; 2 – fazendo sob pressão; 3 – interagindo com os pares e outras pessoas; 4 – através de trocas com o ambiente”.

Aí está: em vez de impor conteúdos, por que não sugerir os temas que interessam, e mesmo os que estão no “programa formal”, e então desafiar e orientar os aprendizes a solucionar problemas, em grau de dificuldade crescente? E como na vida, colocar um pouco de pressão na sua solução… E também por que não deixar a comunicação fluir entre eles, em grupos informais, e mesmo recorrendo ao ambiente externo à sala de aulas? Lembre-se de que a informação (que pode gerar o conhecimento) está, além do professor, nos colegas, na internet, e no mundo externo… Garanto que será muito mais interessante e eficaz, gerando nos aprendizes, que descobrirão por eles mesmos o que lhes interessa em um determinado campo do conhecimento, uma sensação de vitória, satisfação e apropriação final e definitiva do que lhes interessa.

É claro que existirão erros ao longo do processo por parte de todos os envolvidos no processo, inclusive nós, docentes e educadores. E qual será o problema, se os ajudarmos a corrigi-los e aprendermos, também nós, com eles?  Não é isto que acontece com as pessoas inteligentes ao longo da vida? Errar é humano, como bem diz o ditado popular; mas não se corrigir e aprender com o erro é falta de cabeça, não é?

Só para exemplificar um pouco: utilizando esta metodologia em um curso sobre inovação para adolescentes, que só poderia ser tratado da forma descrita, uma jovem me procurou em um intervalo, e confessou-me que estava feliz e aprendendo, pois “aqui eu posso falar”… Questionada por mim sobre esta afirmativa, citou-me que em sua escola não podia dar nenhuma opinião, ou mesmo questionar algo! E em uma jovem da “Geração Y”, isto é fatal para a motivação e aprendizagem…

Pois é, novos paradigmas… Mas serão novos de fato, ou nós é que os esquecemos? Mas tente, com seus alunos, se for o caso; mas tudo isto vale com seus filhos, funcionários, colegas de trabalho, e assim por diante. Afinal, em nosso compartilhamento humano, todos somos professores…

Até a próxima…

Referência:

  1. DOLABELA, F. Oficina do Empreendedor: a metodologia de ensino que ajuda a transformar conhecimento em riqueza. São Paulo: Cultura Editores Associados, 2000.275 p.

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É graduado em Engenharia Elétrica (Instituto Nacional de Telecomunicações – INATEL), e pós-graduado em Docência do Ensino Superior em Educação. Foi professor, desde 1964, em diversos cursos técnicos, de engenharia, e de extensão, em diversas áreas técnicas, bem como em empreendedorismo e inovação. Também criou e coordenou diversas atividades ligadas ao desenvolvimento do empreendedorismo, no Inatel. Atualmente participa de programas de extensão e pesquisa ligados ao empreendedorismo, criatividade e inovação.