Continuando nossa conversa sobre inovação, – 1ª parte aqui – que começamos com a sua definição oficial que nos é oferecida pelo “Manual de Oslo” [1], gostaria de chamar a atenção de que a referida definição difere “invenção” de “inovação”. Isto porque a inovação tem como objetivo ser “implementada no mercado”, e a invenção não, obrigatoriamente… No entanto, uma invenção pode ser um bom caminho para uma inovação, se for passível de comercialização com sucesso (ela em si ou seus desdobramentos…). Daí, em minha opinião, a importância da pesquisa básica, para nos fornecer referenciais teóricos e, em decorrência, possibilidades de inventar coisas novas, possibilitando inovações muito úteis… E é claro que sempre são muito bem-vindas as inovações disruptivas e radicais, as quais fazem tudo mudar, inclusive a sociedade. Vemos aqui a internet, blockchain, inteligência artificial e assim por diante. 

Mas também outra dica que nos dá a definição oficial é a que a inovação tem como objetivo melhorar nosso entorno, nosso trabalho, nosso modo de vida, etc. Portanto, deve atender às nossas necessidades. Mas quando falamos em “necessidades”, temos outro problema: elas nascem de observação atenta das tendências e dos novos paradigmas que constantemente estão se estabelecendo. Sem esta visão, o perigo é de que a inovação estacione em cópias ou mesmo pequenos incrementos em algo que já existe. 

Mas agora se estabelece um novo problema, trazido por uma nova realidade: hoje já não restam dúvidas de que a “Era da Cognição” já chegou, promovendo a “Quarta Revolução industrial”. Estabelecendo-se com uma rapidez nunca vista na história, ela agora nos possibilita cada vez mais a complementação (ou mesmo acréscimo…) da força mental do ser humano. Tal tipo de complementação já aconteceu em outras épocas de nossa trajetória como seres humanos, como, por exemplo, com a “Revolução Industrial”, que permitiu substituir a utilização da força mecânica do ser humano pela da máquina. E tudo mudou, pois sabemos que “novas tecnologias, novo tipo de sociedade”.

Esta “velocidade de chegada” da Era da Cognição, que também está desenvolvendo um novo tipo de sociedade, tem problemas, muito bem expressos na referência [2].  Nesta obra, é citado o desconhecimento em geral do advento da 4ª Revolução Industrial pela maioria da população, e mesmo pelas lideranças mundiais, em sua maioria.

E aí, é evidente que este desconhecimento sobre o que está acontecendo atrapalha o caminhar da inovação. Se não sabemos ou entendemos o que está acontecendo, como saber ou inferir as novas necessidades? E aí, como inovar?

Um conceito bem interessante, que pode ser observado com relativa facilidade, é o de “Poços de Ignorância” (esta, no bom sentido…). Por este conceito, as pessoas, responsáveis por instituições, governos, famílias, organizações, etc., estão tão envolvidas em paradigmas antigos e ocupações, muitas vezes fora do contexto moderno, que, estando imersas nesses “poços”, não conseguem ver e nem aceitar discutir algo que “balance a água”… Não percebem o que está acontecendo em volta, muito menos se preocupam com o que pode ou deve acontecer. Vemos isto acontecer em muitas instâncias…

Considero que todos estes são problemas que vão se resolver naturalmente, ao longo do tempo, como sempre aconteceu… Mas o preocupante é que o tempo, agora, corre muito rapidamente, e quem sair na frente…

Eu gostaria de continuar este “papo” no próximo “Engenharia em Pauta”… Topa?

Referência:

[1] MANUAL DE OSLO. Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 1997.

[2] SCHWAB, KLAUS. A quarta revolução Industrial. São Paulo, Edipro, 2016. 159 p.

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